Brasil

PF mira Washington Reis e irmã em operação contra lavagem de dinheiro desviado da Saúde

Por Luiz Gomes • 1 de julho de 2026

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (30) a segunda fase da Operação Anáfora, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro proveniente de desvio de recursos públicos, especialmente da área da saúde, no Rio de Janeiro. O ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), e sua irmã, Jane Reis (MDB), pré-candidata a vice-governadora do Rio, estão entre os investigados. A ação cumpre 14 mandados de busca e apreensão em endereços nas cidades do Rio, Niterói e Duque de Caxias.

Dinheiro encontrado e crimes investigados

Durante a operação, agentes da PF encontraram dinheiro em espécie escondido embaixo de um sofá em uma empresa localizada em Xerém, Duque de Caxias, ligada a Washington Reis. O montante, que ainda está sendo contabilizado, é parte das evidências coletadas. Em outro local, dinheiro foi encontrado dentro de um livro falso, indicando tentativas de ocultação.

Os investigados são suspeitos de manter patrimônio registrado em nome de terceiros, realizar despesas incompatíveis com a renda declarada e participar de negociações imobiliárias complexas como forma de ocultar a origem ilícita dos recursos. Os crimes apurados incluem organização criminosa, fraude à licitação e lavagem de dinheiro, sem prejuízo de outros que possam surgir no decorrer das investigações.

Operação Anáfora II: dinheiro apreendido em uma das salas da empresa do principal investigado, em Xerém Divulgação Polícia Federal

Envolvimento de Washington e Jane Reis

Washington Reis é apontado como o principal investigado no esquema. A PF suspeita que sua irmã, Jane Reis, atue diretamente na operacionalização da lavagem de dinheiro, sendo responsável por administrar a empresa WR Participações. Esta empresa, segundo as investigações, possui quase 300 imóveis e apresenta características de ser utilizada para lavagem de dinheiro, especialmente em um contexto de intenso loteamento em Duque de Caxias, onde diversas empresas “parceiras” são colocadas em imóveis da WR Participações. A empresa Laticínio Vale Carioca e as residências de Rodrigo Vieira Rangel e Carlos Tadeu Ferreira Vieira, apontados como parceiros do político, também foram alvos de mandados.

Jane Reis negou veementemente qualquer envolvimento em lavagem de dinheiro e afirmou ter tomado conhecimento das investigações exclusivamente pela imprensa, declarando-se à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos. Washington Reis, por sua vez, não foi alvo de mandados de busca nesta fase, mas já havia sido na primeira etapa da operação em 2022. Ele afirmou que as empresas citadas não são de sua propriedade e que colabora com as investigações, sendo o maior interessado na apuração completa dos fatos.

Jane e o irmão, Washington Reis — Foto: Reprodução/Redes sociais

Desdobramentos da Operação Anáfora

A segunda fase da Operação Anáfora cumpre 14 mandados de busca e apreensão. Quatro desses mandados foram expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), em razão do atual entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a manutenção do foro por prerrogativa de função após o fim do mandato.

A primeira fase da operação, deflagrada em 2022, investigou um suposto favorecimento na contratação da Renascer Cooperativa de Trabalho (Renacoop) pela prefeitura de Duque de Caxias para a prestação de serviços na rede de saúde municipal. Os contratos investigados, somando o contrato original e seus aditivos, totalizavam R$ 563,5 milhões em pouco mais de dois anos. A PF suspeita de direcionamento de licitação e sobrepreço nesse processo. Além disso, levantou suspeitas sobre uma suposta doação de tanques-rede para criação de peixes na Fazenda Paraíso, um centro de tratamento de dependentes químicos do município, que seria um pagamento de propina em troca da manutenção dos interesses das empresas ligadas ao empresário Mário Peixoto na prefeitura. Mário Peixoto já havia sido denunciado pelo Ministério Público Federal após a Operação Favorito, em 2020.

Próximos passos

As investigações continuam para identificar outros delitos e o grau de participação de cada envolvido, com a PF buscando aprofundar as apurações sobre a movimentação e destinação dos recursos. A defesa dos investigados não foi localizada ou não se manifestou até o momento da publicação.

Tags: , ,
Redes sociais
Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

Deixe uma resposta