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A Petrobras informou em comunicado nesta quinta-feira (10) que vai retirar o desconto de R$ 0,44 por litro de gasolina equivalente à redução de impostos federais que era dada pelo governo até o dia anterior, 9 de setembro [1]. Com isso, o preço médio do litro nas refinarias sobe na mesma magnitude, e passa a ser de R$ 3,05 [1].
Ainda na noite da quarta-feira, a estatal chegou a divulgar um comunicado anterior em que dizia que, além do fim do desconto de 44 centavos, faria também um aumento de 19 centavos no preço, para R$ 3,24 por litro [1]. O comunicado, contudo, foi apagado e corrigido pela nova mensagem desta quinta, mantendo apenas a elevação de 44 centavos [1].

Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Efeito final para o consumidor
Como o governo renovou e ampliou, na quarta, os subsídios que vinha dando aos combustíveis em resposta aos choques de custos da guerra no Irã, a Petrobras afirma que, ao chegar às distribuidoras, o preço final da gasolina deve ficar mais barato do que antes [1].
Isso porque, no novo pacote de ajuda, o governo federal concedeu à gasolina um novo desconto de 63 centavos por litro, desenhado para substituir o anterior, que expirou [1]. Como saem os 44 centavos nas refinarias, mas entram os 63 centavos nas distribuidoras, o litro da gasolina deve, ao fim, ficar R$ 0,19 mais barato do que estava antes [1][2].
“Diferentemente do informado anteriormente, a alteração no preço da gasolina da Petrobras nos pontos de venda corresponderá apenas à suspensão do desconto”, informou a companhia no novo comunicado [1]. “Para as distribuidoras, o efeito será de redução de R$ 0,19 no preço percebido com tributos” [1][2].
Medidas do governo
Na tarde da quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um novo pacote de medidas que renova e amplia os benefícios à gasolina, ao etanol e ao diesel, em meio à guerra no Oriente Médio [1]. O prazo de duração da rodada anterior, que dava o desconto de 44 centavos no litro da gasolina e foi concedida em maio, expirou também nesta quarta-feira [1].
No novo pacote, o governo ampliou o subsídio para 63 centavos por litro, válido por um mês e podendo ser estendido [1]. Os valores dizem respeito às cobranças de PIS e Cofins, que são os tributos federais que incidem sobre a gasolina [1].
Em outra frente, o decreto também zera os tributos sobre o etanol hidratado, com redução de R$ 0,19 por litro [2]. Além disso, o governo publicou uma medida provisória que autoriza uma subvenção de R$ 1 por litro para o diesel [2]. O benefício se soma ao subsídio de R$ 1,12, que vale até 26 de setembro. Durante esse período, a subvenção total chega a R$ 2,12 por litro [2].
Como está o preço na bomba
Segundo os dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), coletados entre 30 de agosto e 5 de setembro, o preço médio da gasolina no Brasil era de R$ 6,51 por litro [2]. No mesmo intervalo, o diesel S-10 custava, em média, R$ 6,88 por litro, enquanto o etanol hidratado era vendido a R$ 3,95 por litro [2].
Mesmo sem os reajustes e com as subvenções, o preço da gasolina acumula alta de 8% nos postos desde o início do conflito no Oriente Médio, de R$ 6,028 para R$ 6,510, segundo levantamento semanal da ANP [3].
Contexto internacional
As medidas foram anunciadas a menos de um mês da eleição presidencial e em meio à alta do petróleo no mercado internacional [2]. O petróleo do tipo Brent, referência internacional, voltou a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril nesta quarta, após o agravamento dos conflitos no Oriente Médio [2]. Mais de 25% do diesel consumido no Brasil é importado [2].
A retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã amplia as incertezas sobre o trânsito de navios pelo Estreito de Hormuz, rota de escoamento de 20% do petróleo produzido no mundo [3].
Como é formado o preço dos combustíveis
Uma série de fatores influenciam o cálculo dos preços cobrados dos consumidores nas bombas [2]. A maior fatia da composição de preços responde pela parcela de remuneração das refinarias [2].
Gasolina:
- 27,3%: parcela recebida pelas refinarias
- 24,6%: distribuição e revenda
- 24,1%: imposto estadual
- 13,7%: custo do etanol anidro
- 10,3%: impostos federais
Diesel:
- 41,1%: parcela recebida pelas refinarias
- 25,9%: distribuição e revenda
- 17,0%: imposto estadual
- 11,3%: biodiesel
- 4,7%: impostos federais
Referências
1] Veja — Com novo subsídio do governo, Petrobras diz que gasolina vai ficar mais barata.
[2] G1 — Fim do desconto da Petrobras: como ficam os preços da gasolina?
[3] UOL Economia — Petrobras volta atrás e cancela reajuste de R$ 0,19 da gasolina.
Nota editorial:
As informações relatadas nesta matéria refletem comunicados oficiais da Petrobras e medidas provisórias e decretos publicados pelo governo federal em 9 e 10 de setembro de 2026. Os valores de subsídio e os efeitos sobre o preço final são estimativas da estatal e do governo, sujeitas a variações conforme a política de preços da companhia e as condições do mercado internacional. O preço final ao consumidor depende também de fatores como impostos estaduais, margens de distribuidoras e revendedores, e flutuações do câmbio.

