Uma reportagem investigativa do jornal O Estado de S. Paulo trouxe ao centro do debate político e jurídico a evolução patrimonial do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes. O levantamento revelou um salto expressivo na compra de bens imobiliários pelo casal nos últimos anos, gerando intensa repercussão em Brasília.
Os números do levantamento
Com base em dados de cartórios de imóveis em São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal, o levantamento aponta a dimensão da expansão patrimonial da família:
Desde março de 2017, quando Moraes assumiu uma cadeira no STF, o patrimônio imobiliário do casal cresceu cerca de 266%. O valor saltou de R$ 8,6 milhões (referente a 12 imóveis) para R$ 31,5 milhões espalhados por 17 propriedades.
Aceleração recente:
Entre 2021 e 2025, a família desembolsou R$ 23,4 milhões na aquisição de novas casas, terrenos, apartamentos e salas comerciais — a maioria das transações realizada com pagamento à vista.
Parte expressiva das aquisições mais recentes foi registrada em nome da Lex Instituto de Estudos Jurídicos, empresa familiar voltada à administração de bens, composta por Viviane Barci de Moraes e os dois filhos do casal. Como Moraes e Viviane são casados sob o regime de comunhão parcial de bens, as propriedades adquiridas após o matrimônio integram o patrimônio comum do casal.
Bastidores e repercussão política:
A divulgação dos dados repercutiu imediatamente no Congresso Nacional e entre analistas do setor jurídico.
Munição para a oposição:
Parlamentares e críticos da atuação do magistrado no STF passaram a exigir maior transparência sobre a origem dos recursos e levantaram questionamentos sobre a incompatibilidade da renda do teto funcional com as compras milionárias.
Atividade advocatícia e vencimentos:
Defensores do ministro argumentam que os investimentos decorrem do êxito de negócios privados legítimos, destacando a atuação de sua esposa como advogada e sócia de bancas e empresas, cujos rendimentos não se submetem ao teto do funcionalismo público. O salário-base de um ministro do STF é de R$ 46,3 mil mensais.
Postura dos citados:
Procurados pelo veículo de imprensa para prestar esclarecimentos e detalhar os investimentos, nem o ministro nem sua assessoria enviaram manifestação oficial
O debate sobre transparência de autoridades:
O caso reabriu a discussão no meio jurídico sobre os limites da privacidade patrimonial de magistrados e a necessidade de mecanismos mais claros de transparência para integrantes do Poder Judiciário.
A polêmica ocorre em um momento de elevada tensão política, no qual decisões da Suprema Corte são constantemente escrutinadas tanto pela opinião pública quanto pela classe política. Fonte CNN

