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Moraes determina que Polícia Federal ouça Flávio Bolsonaro em até 10 dias por investigação de suposta calúnia contra Lula

Por Luiz Gomes • 7 de julho de 2026

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (7) que a Polícia Federal (PF) tome o depoimento do senador Flávio Bolsonaro no prazo de até dez dias no inquérito que apura a suposta prática do crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que considerou necessária a realização da oitiva antes de decidir sobre o eventual oferecimento de denúncia ou o arquivamento do caso.

A determinação foi expedida após a PF concluir a fase inicial da investigação e encaminhar o relatório ao STF. Ao analisar os autos, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, entendeu que ainda é necessário ouvir formalmente o senador, etapa considerada relevante para o encerramento da investigação.

PGR apontou necessidade de ouvir o senador

No parecer encaminhado ao Supremo, Paulo Gonet sustentou que o depoimento de Flávio Bolsonaro é uma diligência indispensável antes da manifestação final do Ministério Público Federal.

Segundo a PGR, a legislação prevê que, em crimes contra a honra, o investigado pode exercer o direito de retratação, circunstância que pode produzir efeitos jurídicos relevantes na persecução penal. Por essa razão, o Ministério Público considerou necessário garantir ao senador a oportunidade de prestar esclarecimentos antes da conclusão do procedimento.

Com base nesse entendimento, Alexandre de Moraes determinou o retorno do inquérito à Polícia Federal exclusivamente para a realização da oitiva, fixando prazo de dez dias para o cumprimento da diligência.

Investigação teve origem em publicação nas redes sociais

A investigação foi instaurada após uma publicação feita por Flávio Bolsonaro na rede social X.

De acordo com o relatório elaborado pela Polícia Federal, a postagem teria atribuído falsamente ao presidente Lula a prática de crimes, hipótese que, em tese, pode configurar o crime de calúnia previsto no Código Penal.

A PF concluiu a fase investigativa e encaminhou os autos ao Supremo Tribunal Federal. Antes de decidir se apresentaria denúncia, porém, a Procuradoria-Geral da República solicitou que o senador fosse ouvido formalmente.

Até o momento, o conteúdo específico da publicação investigada não foi reproduzido na decisão divulgada pelo Supremo.

Decisão não representa condenação nem denúncia

A determinação de Alexandre de Moraes não significa que Flávio Bolsonaro tenha sido denunciado ou condenado.O despacho possui natureza processual e apenas determina a realização de uma diligência considerada necessária pela Procuradoria-Geral da República.

Após o depoimento, caberá à PF encaminhar novamente os autos ao STF. Em seguida, a PGR analisará o conjunto das provas para decidir entre três possibilidades: oferecer denúncia, requerer novas diligências ou pedir o arquivamento do inquérito.Assim, a investigação permanece em fase pré-processual, sem abertura de ação penal até o momento.

Possibilidade de retratação

Ao justificar o pedido, a Procuradoria destacou que a legislação brasileira prevê a possibilidade de retratação em determinadas hipóteses relacionadas aos crimes contra a honra.

Segundo o parecer, ouvir previamente o investigado permite ao Ministério Público avaliar todos os elementos previstos em lei antes da adoção de qualquer medida judicial.

A PGR não antecipou qual será sua manifestação após o depoimento, limitando-se a afirmar que a oitiva é necessária para a adequada conclusão da análise do caso.

Próximos passos da investigação

Com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, caberá agora à Polícia Federal agendar e realizar o depoimento de Flávio Bolsonaro dentro do prazo máximo de dez dias.

Concluída essa etapa, o inquérito será devolvido à Procuradoria-Geral da República. Somente após examinar o depoimento e os demais elementos reunidos durante a investigação, o órgão decidirá se apresentará denúncia ao Supremo Tribunal Federal, solicitará novas diligências ou requererá o arquivamento do procedimento.

Até a publicação desta reportagem, não havia informação sobre a data em que o depoimento será realizado nem sobre manifestação da defesa do senador a respeito da decisão.

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Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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