O medicamento de longa duração é aplicado a cada dois meses e pode facilitar a adesão ao tratamento preventivo. A expectativa do governo é ampliar o acesso à profilaxia para pessoas com maior risco de infecção pelo HIV.
O Ministério da Saúde anunciou que solicitará à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) a inclusão da PrEP injetável de longa duração na rede pública de saúde. A medida faz parte da estratégia do governo para fortalecer a prevenção ao HIV e ampliar as opções disponíveis para pessoas com maior vulnerabilidade à infecção.
O medicamento escolhido é o cabotegravir, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023. Diferentemente da PrEP oral, que exige o uso diário de comprimidos, a versão injetável é aplicada uma vez a cada dois meses, reduzindo a necessidade de adesão diária ao tratamento e aumentando a proteção para pessoas que têm dificuldade em manter o uso contínuo da medicação.
Segundo o Ministério da Saúde, desde que a PrEP oral passou a ser oferecida pelo SUS, 356 mil pessoas já iniciaram a profilaxia no Brasil. A intenção é que a versão injetável seja uma alternativa complementar, permitindo que pacientes e profissionais de saúde escolham a estratégia mais adequada para cada caso, e não um substituto obrigatório da medicação oral.
A decisão foi anunciada durante a 13ª Conferência da Sociedade Internacional de AIDS (IAS 2026), realizada em Kigali, capital de Ruanda. O governo informou que chegou a um acordo para adquirir o cabotegravir por um preço semelhante ao praticado em países de renda média, como Indonésia e Tailândia, tornando a incorporação financeiramente viável para o sistema público.
Antes de começar a ser oferecido no SUS, o medicamento ainda precisará passar pela análise técnica da Conitec, responsável por avaliar a eficácia, a segurança, o impacto orçamentário e o custo-benefício das novas tecnologias em saúde. Caso receba parecer favorável e seja aprovado pelo Ministério da Saúde, a PrEP injetável poderá começar a ser distribuída na rede pública ainda em 2026.
Estudos clínicos demonstraram que o cabotegravir apresenta alta eficácia na prevenção da infecção pelo HIV e melhora a adesão ao tratamento em comparação com o esquema oral diário. A expectativa é que a nova tecnologia beneficie principalmente pessoas que enfrentam dificuldades para tomar comprimidos todos os dias ou que desejam uma forma mais prática de prevenção.

