Meio Ambiente

Alertas de desmatamento na Amazônia caem 35% e atingem menor nível para o mês em 20 anos

Dados do sistema Deter, do Inpe, mostram redução da área sob alerta de desmatamento na Amazônia e no Cerrado. No acumulado do atual período de monitoramento, a queda na Amazônia chega a 37,2%.

Os alertas de desmatamento na Amazônia Legal caíram 35% em junho de 2026 em comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados divulgados pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A área sob alerta passou de 457,61 km² em junho de 2025 para 297,26 km² neste ano, o menor índice registrado para o mês nas últimas duas décadas.

Apesar da redução na área desmatada, o número de alertas permaneceu praticamente estável. Em junho de 2026 foram registrados 1.233 alertas, contra 1.238 no mesmo período do ano anterior. O resultado indica que os eventos de desmatamento continuam ocorrendo, mas em áreas menores do que as observadas em 2025.

Os dados também mostram uma tendência de queda no período mais amplo de monitoramento. Entre agosto de 2025 e junho de 2026, a Amazônia acumulou 2.485,9 km² de área sob alerta de desmatamento, uma redução de 37,2% em relação aos 3.959,98 km² registrados nos mesmos onze meses do ciclo anterior. Nesse intervalo, o sistema contabilizou 11.554 alertas de desmatamento.

Foto: Reprodução

O Cerrado também apresentou melhora, embora em menor intensidade. Em junho, a área sob alerta caiu 5,3%, passando de 508,69 km² para 481,52 km². No entanto, o número de alertas aumentou de 1.444 para 2.880. Segundo nota técnica do Inpe, a intensa cobertura de nuvens durante o período pode ter dificultado o monitoramento por satélite em algumas regiões do bioma, o que exige cautela na interpretação dos resultados.

O Deter é um sistema de monitoramento em tempo real utilizado para orientar as ações de fiscalização de órgãos ambientais, como o Ibama. Seus dados servem para identificar rapidamente áreas com indícios de desmatamento, mas não representam a taxa oficial anual de perda de vegetação, que é calculada posteriormente pelo sistema Prodes, também desenvolvido pelo Inpe.

Embora os números indiquem avanço no combate ao desmatamento, especialistas destacam que a manutenção dessa tendência dependerá da continuidade das ações de fiscalização, do combate aos crimes ambientais e da implementação de políticas públicas voltadas à preservação da floresta. A redução dos alertas é considerada um indicador positivo, mas ainda insuficiente para eliminar as pressões sobre os biomas brasileiros

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Stephanie Paixao
Sobre o autor

Stephanie Paixao

Stephanie Paixão é graduanda em Jornalismo e acadêmica do Ensino Superior em Tecnologia em Mídias Sociais e Digitais pela Universidade Unicesumar. Estrategista de conteúdo, com atuação no combate à desinformação e à análise crítica dos eventos nacionais e globais.

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