Analistas do mercado financeiro elevaram, pela décima quinta semana consecutiva, a estimativa para a inflação em 2026. De acordo com o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Banco Central (BC), a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 5,30% para 5,33% — bem acima do teto da meta de inflação, que é de 4,5%.
A pesquisa, realizada com mais de 100 instituições financeiras, também mostrou que os economistas passaram a projetar apenas mais um corte de juros em 2026, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de agosto, com a Selic terminando o ano em 14% ao ano. Antes da guerra no Oriente Médio, a expectativa era de que os juros fechassem 2026 em 12,5%.
Inflação pressionada pelo petróleo e guerra no Oriente Médio
A alta consecutiva das projeções de inflação é atribuída principalmente à guerra no Oriente Médio, que fez disparar o preço do petróleo. O barril do Brent opera acima de US$ 78, o que pressiona os combustíveis no Brasil e, consequentemente, o índice de preços.
Mesmo com o anúncio de um acordo de paz preliminar entre Estados Unidos e Irã, o petróleo mostrou queda no início desta semana, mas a projeção de inflação seguiu em alta. Para 2027, a expectativa avançou de 4,10% para 4,15%; para 2028, de 3,68% para 3,70%; enquanto a estimativa para 2029 permaneceu em 3,50%.
Desde o início de 2025, o Brasil adotou o sistema de meta contínua de inflação, com objetivo central de 3% ao ano e tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. A meta para 2026, portanto, é de 3%, com teto de 4,5%.
Juros: mercado projeta Selic em 14% e fim do ciclo de cortes
Com a inflação persistente, o mercado financeiro revisou para cima a estimativa para a taxa Selic ao fim de 2026, de 13,75% para 14% ao ano. Na semana passada, o Copom realizou um corte de 0,25 ponto percentual, reduzindo a Selic para 14,25%. A expectativa agora é de apenas mais uma redução, em agosto, para 14%.
O BC ponderou que a trajetória necessária para assegurar a convergência da inflação à meta durante o quarto trimestre de 2027 faria a inflação projetada a partir desse período ficar abaixo de 3%. A manutenção de juros altos é uma estratégia para esfriar a economia e controlar a inflação.
Para 2027, a projeção do mercado para a Selic permaneceu em 12% ao ano. Para 2028, a estimativa continuou em 10,25% ao ano.
PIB e câmbio: crescimento econômico e dólar
Apesar do cenário de inflação e juros mais altos, a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 subiu de 1,96% para 1,98%, segundo o Focus. É a quinta semana consecutiva de alta na projeção. Para 2027, a estimativa permaneceu em 1,70%.
Para a taxa de câmbio, o mercado manteve a projeção de R$ 5,20 por dólar para o fim de 2026. Para 2027, a estimativa subiu de R$ 5,25 para R$ 5,27.

