O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mostrou o dedo do meio nesta sexta-feira (3) durante discurso em cerimônia oficial no Palácio do Planalto, em Brasília. O gesto ocorreu enquanto o petista rebatia a afirmação de que “pobre não gosta de coisa boa”, em evento que marcou as últimas entregas do governo federal antes do início das restrições do período eleitoral.
Discurso e Declarações
Durante a cerimônia, Lula defendeu que a população de baixa renda deve ter acesso a serviços e produtos de alta qualidade. “Nós vamos acabar com essa história que eles pensam que o pobre não gosta de coisa boa. Aqui para eles”, afirmou o presidente ao fazer o gesto obsceno. Ele acrescentou que a população quer “tudo de primeira” e criticou a visão de que os mais pobres devem se contentar com serviços inferiores.

Lula mostra dedo do meio ao criticar quem pensa que ‘pobre não gosta de coisa boa’ — Foto: Cristiano Mariz/ O Globo/ 03/07/2026
O presidente também utilizou o espaço para elogiar o Sistema Único de Saúde (SUS) e defender programas como o Brasil Sorridente. Em sua fala, Lula criticou cidadãos de alta renda que utilizam planos de saúde privados, argumentando que o abatimento desses valores no Imposto de Renda (IR) acaba sendo custeado pela coletividade. “Se ele desconta no IR, quem paga somos nós”, declarou.
Investimentos e Entregas Oficiaisg
O evento no Palácio do Planalto serviu como palco para anúncios em diversas áreas. Na educação, foram entregues dez campi da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, localizados em São Paulo, Amazonas, Espírito Santo e Piauí. Os investimentos somam R$ 206,6 milhões, sendo a maior parte (R$ 196,5 milhões) proveniente do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Na área da saúde, o governo federal anunciou o aporte de R$ 464,8 milhões para a aquisição de ambulâncias, unidades odontológicas móveis e equipamentos para hospitais e unidades básicas de saúde. O pacote também incluiu micro-ônibus para o transporte de pacientes, visando reforçar o atendimento especializado em diferentes regiões do país.
Restrições do Calendário Eleitoral
A cerimônia ocorreu na véspera do início das restrições impostas pela legislação eleitoral. A partir deste sábado (4), três meses antes do primeiro turno das eleições, agentes públicos ficam proibidos de participar de inaugurações de obras e de veicular publicidade institucional, visando impedir o uso da máquina pública em benefício de candidaturas.
Na quinta-feira (2), Lula já havia criticado as normas que limitam as ações do Executivo durante o período eleitoral, classificando as regras como uma “papagaiada desgraçada”. Com a entrada em vigor do defeso eleitoral, o governo federal deve reduzir drasticamente a agenda de cerimônias públicas e anúncios de novos investimentos até a conclusão do processo de votação em outubro.

