Uma crise sem precedentes na cadeia de suprimentos da aviação global vem forçando companhias aéreas de todo o mundo a deixar centenas de aeronaves comerciais paradas em solo. O gargalo se concentra nos motores de última geração, gerando impactos financeiros bilionários e reduzindo a oferta de voos no mercado internacional.
A Crise
O problema central envolve componentes defeituosos de pó de metal de alta densidade utilizados nos motores GTF (Geared Turbofan), fabricados pela Pratt & Whitney. A falha exige recall e inspeções microscópicas profundas para evitar microfissuras que podem causar falhas catastróficas em pleno voo.
Os modelos de aeronaves mais atingidos são os Airbus A320neo e A220, além dos jatos regionais Embraer E2. Estima-se que, no pico da crise, mais de 600 aviões dessas famílias tenham sido retirados simultaneamente de operação para passar por reparos urgentes.
O tempo médio que um motor passa nas oficinas de manutenção saltou de cerca de 60 dias para até 300 dias. A lentidão decorre da escassez crônica de peças de reposição e da falta de mão de obra qualificada no mercado pós-pandemia.
A RTX Corporation (controladora da Pratt & Whitney) reservou uma provisão financeira de mais de US$ 3 bilhões para cobrir os custos do recall e compensar financeiramente as companhias aéreas pelos aviões retidos. O impacto total estimado para a indústria de aviação, contudo, é consideravelmente maior devido à perda de receitas de passagens.
Para mitigar a falta de assentos, as empresas aéreas estão estendendo contratos de aluguel de aeronaves antigas e menos eficientes. Mesmo assim, a redução forçada da capacidade global tem empurrado o preço médio das passagens aéreas para cima em rotas de alta demanda.

