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Keir Starmer renuncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido após crise política

Por Stephanie Paixao • 23 de junho de 2026

Líder trabalhista anuncia saída menos de dois anos após vitória histórica nas eleições de 2024; críticas sobre Gaza, relação com sindicatos e resultados eleitorais contribuíram para o desgaste de seu governo

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou em 22 de junho de 2026 que deixará o cargo e a liderança do Labour Party, encerrando um governo que durou menos de dois anos e que começou com uma das maiores vitórias eleitorais da história recente da legenda.

A decisão foi comunicada após meses de desgaste político, queda de popularidade, derrotas eleitorais e crescente pressão dentro do próprio partido. Starmer permanecerá como primeiro-ministro interino até que os trabalhistas escolham um novo líder, que assumirá automaticamente o comando do governo britânico devido à maioria parlamentar do partido na House of Commons.

A renúncia marca uma reviravolta significativa na trajetória de um político que chegou ao poder prometendo estabilidade institucional, recuperação econômica e reconstrução da confiança dos britânicos na política após anos de turbulência provocados pelo Brexit e pela sucessão de governos conservadores.

A ascensão de Starmer e a vitória histórica de 2024

Keir Starmer assumiu o cargo de primeiro-ministro em 4 de julho de 2024, após conduzir o Labour Party a uma vitória expressiva contra o Conservative Party, encerrando mais de uma década de governos conservadores no Reino Unido.

Ex-promotor e ex-diretor de processos criminais da Inglaterra e do País de Gales, Starmer construiu sua imagem política como um gestor pragmático e moderado. Durante a campanha eleitoral, prometeu revitalizar os serviços públicos, impulsionar a economia britânica, reduzir desigualdades e restaurar a estabilidade política.

A vitória foi recebida como um momento histórico para o partido. Muitos analistas enxergavam Starmer como o líder capaz de reunificar o Reino Unido após anos de polarização política provocada pelo Brexit. Entretanto, as expectativas elevadas se transformaram em um desafio constante para o governo.

O desgaste começou nos primeiros meses

Embora tenha iniciado seu mandato com amplo apoio popular, Starmer passou a enfrentar dificuldades para entregar resultados rápidos em áreas consideradas prioritárias pela população.

Questões relacionadas ao custo de vida, inflação, imigração, produtividade econômica e funcionamento do sistema de saúde britânico passaram a gerar críticas tanto da oposição quanto de setores do próprio partido.

Pesquisas divulgadas ao longo de 2025 e do primeiro semestre de 2026 indicaram uma queda gradual na aprovação do governo. Parlamentares trabalhistas começaram a demonstrar preocupação com a capacidade da liderança de manter o apoio conquistado nas eleições.

A percepção de que o governo não apresentava uma direção clara para enfrentar os desafios econômicos e sociais passou a ganhar força dentro da legenda.

As eleições locais ampliaram a crise

O Labour Party sofreu perdas significativas em diversas regiões do Reino Unido, alimentando uma rebelião interna contra a liderança de Starmer. Deputados passaram a defender publicamente sua substituição, argumentando que o partido corria o risco de perder apoio popular caso mantivesse a mesma estratégia política.

Segundo veículos britânicos, mais de trinta parlamentares trabalhistas passaram a discutir abertamente a necessidade de uma mudança de comando. A pressão aumentou ainda mais quando figuras influentes da legenda começaram a defender a antecipação de uma disputa interna pela liderança do partido.

Andy Burnham emerge como principal sucessor

Conhecido pelo apelido de “Rei do Norte”, Burnham é o político trabalhista mais popular do Reino Unido

Com o enfraquecimento político de Starmer, o nome de Andy Burnham ganhou força dentro do Labour Party. Ex-ministro, ex-deputado e ex-prefeito da Grande Manchester, Burnham é considerado uma das figuras mais populares do trabalhismo britânico contemporâneo. Sua popularidade aumentou nos últimos anos devido à defesa de investimentos públicos, fortalecimento dos serviços sociais e maior autonomia regional.

Após o anúncio da renúncia, Burnham confirmou sua intenção de disputar a liderança do partido, passando imediatamente a ser apontado como favorito para assumir o cargo de primeiro-ministro.

A guerra em Gaza tornou-se um dos principais focos de críticas

Entre os fatores que contribuíram para o desgaste de Starmer está sua posição sobre a guerra em Gaza. Desde o início do conflito entre Israel e Hamas, setores importantes da esquerda britânica criticaram o então primeiro-ministro por sua postura considerada excessivamente alinhada ao governo israelense. Movimentos pró-Palestina, organizações de direitos humanos, sindicatos e parlamentares do próprio Labour Party passaram a pressionar o governo por uma postura mais crítica em relação às operações militares conduzidas por Israel.

As críticas se intensificaram após declarações feitas por Starmer nos primeiros meses da guerra, quando defendeu o direito de Israel à autodefesa. Para seus opositores internos, a posição do governo britânico demonstrava falta de firmeza diante da crise humanitária em Gaza. O ex-líder trabalhista Jeremy Corbyn, que rompeu com a direção do partido, tornou-se uma das vozes mais críticas à atuação de Starmer no tema.

Sindicatos também romperam com o governo

Outro elemento fundamental para compreender a crise foi o afastamento entre Starmer e parte do movimento sindical britânico. Historicamente, o Labour Party possui fortes vínculos com sindicatos que representam trabalhadores dos setores ferroviário, marítimo, industrial e de serviços. Contudo, várias organizações passaram a acusar o governo de não promover mudanças econômicas suficientes para melhorar as condições de vida da população.

Após a renúncia, o sindicato RMT (National Union of Rail, Maritime and Transport Workers) divulgou uma nota extremamente crítica ao legado político do primeiro-ministro.

Segundo a organização, Starmer:

“falhou em defender os trabalhadores, criminalizou o direito de protestar e auxiliou os crimes de Israel em Gaza”.

A declaração tornou-se um dos símbolos da ruptura entre parte da base histórica trabalhista e a liderança do partido.

Acusações sobre restrições ao direito de protesto

Organizações de esquerda também passaram a acusar o governo de endurecer medidas relacionadas a manifestações públicas. Grupos políticos e movimentos sociais alegaram que a administração Starmer adotou políticas que restringiam protestos e ampliavam mecanismos de controle sobre manifestações. Essas críticas ganharam força especialmente entre ativistas ligados a pautas trabalhistas, ambientais e pró-Palestina.

Embora o governo defendesse que as medidas buscavam preservar a ordem pública, opositores afirmavam que elas representavam uma limitação ao exercício de direitos democráticos. A crise política foi aprofundada pela saída de integrantes importantes do governo. Entre os episódios mais comentados estiveram as renúncias do secretário da Defesa, John Healey, e do ministro das Forças Armadas, Al Carns.

As saídas reforçaram a percepção de que o gabinete enfrentava dificuldades para manter unidade interna em temas considerados estratégicos. Analistas políticos passaram a apontar que Starmer havia perdido parte da capacidade de controlar diferentes correntes dentro do próprio governo.

O anúncio da renúncia

Starmer renunciou em pronunciamento na manhã desta segunda-feira

Durante o pronunciamento, afirmou que a transição deveria ocorrer de forma organizada para preservar a estabilidade institucional do Reino Unido. A decisão encerra um dos mandatos mais curtos de um primeiro-ministro britânico no período recente e abre uma nova disputa pelo futuro do Labour Party.

Nas próximas semanas, os trabalhistas deverão iniciar formalmente o processo para escolha de um novo líder e o vencedor da disputa assumirá automaticamente o cargo de primeiro-ministro, sem necessidade de novas eleições gerais. A expectativa é que a sucessão seja concluída antes da retomada dos trabalhos parlamentares após o recesso de verão e enquanto isso, Keir Starmer permanecerá em 10 Downing Street como primeiro-ministro interino.

A trajetória de Keir Starmer no poder ficará marcada por um contraste significativo entre a expectativa criada por sua vitória histórica em 2024 e as dificuldades enfrentadas durante seu governo.

Ao mesmo tempo em que foi responsável por encerrar mais de uma década de domínio conservador, seu mandato terminou sob críticas relacionadas à economia, à relação com sindicatos, às políticas para protestos públicos e à posição adotada pelo Reino Unido diante da guerra em Gaza.

Sua saída encerra um capítulo importante da política britânica recente e inicia uma nova disputa pelo rumo do Labour Party e do governo do Reino Unido.

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Stephanie Paixao
Sobre o autor

Stephanie Paixao

Stephanie Paixão é graduanda em Jornalismo e acadêmica do Ensino Superior em Tecnologia em Mídias Sociais e Digitais pela Universidade Unicesumar. Estrategista de conteúdo, com atuação no combate à desinformação e à análise crítica dos eventos nacionais e globais.

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