Situação epidemiológica e distribuição dos casos
Dos 23 casos confirmados até o momento, dois são classificados como importados, enquanto os demais estão vinculados a cadeias de transmissão relacionadas à importação. Segundo a pasta de saúde, a fonte inicial de infecção ainda não foi identificada. Dos pacientes infectados, 14 não possuíam histórico de vacinação ou estavam com o esquema vacinal incompleto, evidenciando a vulnerabilidade decorrida da baixa cobertura imunológica.
Dados do Surto de Sarampo em São Paulo

Estratégia de vacinação e reforço de doses
Diante do avanço dos casos, o governo estadual intensificou a Campanha de Multivacinação, que segue até 1º de setembro em todos os 645 municípios paulistas. Nas cidades de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, a estratégia adotada é a vacinação indiscriminada com a tríplice viral para toda a população na faixa etária de 6 meses a 59 anos, independentemente do histórico vacinal prévio.
Para suprir a alta demanda e amenizar reclamações sobre falta de imunizantes em postos de saúde da capital, a gestão estadual informou o envio de 150 mil novas doses da vacina tríplice viral para a cidade de São Paulo e 80 mil doses para São Bernardo do Campo.
“A campanha reforça a importância de manter a vacinação em dia, especialmente entre crianças e adolescentes. Neste momento, ampliar a cobertura da vacina contra o sarampo é fundamental para interromper a circulação do vírus e proteger a população”, afirmou Tatiana Lang, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE-SP).
Cobertura vacinal e metas federais
Os dados preliminares da Secretaria de Estado da Saúde apontam que a cobertura vacinal da tríplice viral em 2026 permanece abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde, que é de 95% para ambas as doses. Atualmente, a primeira dose registra 77,5% de cobertura, enquanto a segunda alcança 65,5%. Em 2025, os percentuais eram de 94% e 84,4%, respectivamente.
Especialistas em saúde pública alertam que a queda nos índices de imunização cria o ambiente propício para o reaparecimento de doenças já controladas. O Brasil havia recebido o certificado de eliminação do sarampo em 2016, perdido em 2019 e recuperado em 2024, tornando o atual surto em São Paulo um sinal de alerta para as autoridades sanitárias nacionais.

