Agronegócio

Javalis avançam sobre lavouras e ameaçam meio ambiente no Brasil

Expansão descontrolada do javaporco preocupa autoridades: híbrido já domina áreas de cinco estados e pode se tornar o maior desafio de controle ambiental do Brasil em décadas

Mato Grosso do Sul — 2 de Agosto o de 2026.

Javalis e javaporcos, classificados pelo Ibama como espécie exótica invasora desde 2013, destroem lavouras, degradam nascentes e ameaçam áreas de preservação em Estados como Mato Grosso do Sul, com estimativa de 3 mil filhotes nascendo por dia em todo o país, segundo dados do setor agropecuário.

Espécie não tem predadores naturais e se multiplica rapidamente

Introduzidos no Brasil a partir da década de 1980, os javalis (Sus scrofa) se cruzaram com porcos domésticos e deram origem aos chamados javaporcos, linhagem híbrida com alta capacidade reprodutiva. Cada fêmea pode ter, em média, duas ninhadas por ano, com até 12 filhotes por gestação — reprodução que, somada à ausência de predadores naturais no ecossistema brasileiro, resultou na estimativa nacional de cerca de 3 mil nascimentos por dia, segundo especialistas ouvidos pela Agrimídia.

Machos adultos costumam ultrapassar 250 quilos, com registros que chegam perto dos 300 quilos, o que aumenta o risco de acidentes com trabalhadores rurais, animais domésticos e espécies nativas. A maior densidade populacional da espécie está concentrada nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país.

Em Alertas Constantes, Especialistas chamam a atenção sobre esses animais exóticos que causam destruição em lavouras, meio ambiente, animais silvestres, domésticos e ao próprio ser humano.

Biólogo Henrique Abraão, em seu Canal no Instagram Analisa o Cenário Nacional – Reprodução Instagram Biólogo Henrique

Produtores relatam destruição de lavouras em Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, produtores rurais relatam perdas expressivas em lavouras de milho e soja desde a fase de semeadura, além de erosão do solo, degradação de nascentes e danos a áreas de preservação permanente. Em uma propriedade de Fátima do Sul (MS), o produtor Pedro Scheffel relatou à imprensa regional que os ataques ocorrem ao longo de todo o ciclo da cultura: “No começo eles comem as sementes. Depois, quando o milho cresce, derrubam as reboleiras.”

Segundo a analista ambiental do órgão ambiental estadual, Fabiane Gonçalves, o javali não é uma espécie nativa do Brasil, e seus impactos afetam a agropecuária, a vegetação, as nascentes e a fauna nativa, com a qual os animais competem por recursos. Para dimensionar o problema, o Estado passou a usar geotecnologia para mapear a presença dos javalis — ferramenta desenvolvida pela Aprosoja/MS em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente (Semadesc) e financiada pelo Fundems.

Javali também é vetor de doenças que ameaçam a pecuária

Foto: Embrapa

Além dos danos às lavouras, os javalis são apontados como vetores de doenças como peste suína clássica, febre aftosa, leptospirose e brucelose, com risco de contaminação de rebanhos domésticos e, em menor escala, de seres humanos. A preocupação é maior em regiões com forte presença da suinocultura industrial, setor no qual um surto sanitário poderia gerar perdas comerciais significativas.

O controle da espécie é autorizado pelo Ibama desde 2013, por meio de cadastro no Cadastro Técnico Federal (CTF) e de autorização pelo Sistema de Manejo de Fauna — procedimento que, segundo produtores rurais, não acompanha a velocidade de reprodução dos animais. A legislação ambiental veda o abate de espécies nativas semelhantes, como catetos e queixadas, que são protegidas e não podem ser confundidas com javalis ou javaporcos nas ações de manejo.

São Paulo tem decreto próprio para o combate à espécie

Em 2025, o Estado de São Paulo regulamentou a Lei 17.295/2020 e declarou oficialmente o javali-europeu e seus híbridos como pragas e animais nocivos ao meio ambiente, à saúde pública, à agricultura e à pecuária. O decreto proíbe a criação da espécie, mesmo para fins comerciais, e determina abate obrigatório no local da captura, além de regras de rastreabilidade para o transporte de carcaças.

Mato Grosso do Sul e outros Estados atingidos pelo avanço da espécie ainda dependem de ações estaduais e federais mais amplas para conter a expansão dos javalis, que segue avançando sobre novas áreas agrícolas e de conservação no país.

Fonte: Instagram Biólogo Henrique. Embrapa.

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Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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