O governo federal lançou nesta terça-feira (30) o Plano Safra 2026/2027, com R$ 525,1 bilhões em recursos para o financiamento da agropecuária brasileira. O valor, que representa um novo recorde nominal para o programa, ficou R$ 127 bilhões abaixo dos R$ 652 bilhões defendidos por entidades do agronegócio e pelos próprios ministérios envolvidos nas negociações.
O anúncio foi feito no Palácio do Planalto pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, pelo ministro da Agricultura, André de Paula, e pelo ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou da cerimônia por estar em agenda oficial no Paraguai. O plano entra em vigor em 1º de julho e terá validade até 30 de junho de 2027.
Recursos e taxas de juros
Do total de recursos para a agricultura empresarial, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e à comercialização, e R$ 140,2 bilhões para investimentos. O montante representa um aumento de R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior (2025/2026), quando foram disponibilizados R$ 516,2 bilhões.
Além do aumento dos recursos, o governo reduziu as taxas máximas de juros em diversas linhas de financiamento. O Pronamp, voltado aos médios produtores, contará com R$ 72,6 bilhões e juros de até 9% ao ano. As demais linhas terão taxas entre 8% e 12,5%, conforme a finalidade do crédito. O corte nas taxas ficou em cerca de 1,5 ponto percentual, abaixo do defendido pelo Ministério da Agricultura, que pressionava por uma redução mais expressiva.
Durante a apresentação, Durigan afirmou que o Executivo conseguiu preservar o crédito subsidiado mesmo em um ambiente de juros elevados. “Conseguimos reduzir as taxas em praticamente todas as linhas, mesmo em um cenário de taxa básica elevada”, afirmou o ministro.
Novas regras ambientais
O governo também alterou as regras para o crédito rural. A partir desta safra, financiamentos com recursos subsidiados não poderão ser usados por empreendimentos que prevejam a supressão de vegetação nativa. Os contratos também passarão a informar a origem dos recursos utilizados nas operações.
Outra novidade é o incentivo para produtores que mantiverem o Cadastro Ambiental Rural (CAR) regularizado e adotarem práticas sustentáveis. Nesses casos, será concedido desconto de até um ponto percentual nas operações de custeio.
Reação do setor
O valor anunciado ficou abaixo das expectativas do setor produtivo. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), cooperativas e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) argumentaram que a alta dos juros exigia uma ampliação dos recursos destinados à equalização das taxas. Representantes do agronegócio chegaram a defender um volume total de recursos entre R$ 623 bilhões e R$ 674 bilhões.
As restrições fiscais impostas pelas regras fiscais do governo e pela Lei de Responsabilidade Fiscal em um ano de fim de mandato mantiveram os técnicos da equipe econômica mais conservadores. Apesar da frustração do setor, o governo destaca que o programa ampliou os recursos em R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior.

