O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), pediu nesta terça-feira (21) que embaixadores de diversos países enviem “a maior quantidade de observadores” para as eleições de outubro. O pedido foi feito durante um almoço com diplomatas estrangeiros em Brasília, no evento “Debatendo o Brasil”.
Em sua fala, Flávio questionou a segurança das urnas eletrônicas e citou dados sobre o sistema eleitoral brasileiro já desmentidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele mencionou relatórios da CIA sobre supostas fraudes em processos eleitorais na Venezuela e afirmou que a empresa Smartmatic, envolvida nas denúncias, também teria fabricado urnas para o Brasil — o que foi negado pelo TSE.
Em 2020, a Corte eleitoral informou que a Smartmatic nunca forneceu urnas ou softwares utilizados no Brasil, tendo atuado apenas no treinamento de profissionais que prestaram suporte técnico e operacional para as urnas brasileiras, além de contratos para serviços de conexão de dados e voz.
Discurso repetido e momento delicado
A fala de Flávio reproduz o discurso recorrente do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e chega em um momento delicado para sua pré-campanha. Com o início das convenções partidárias, o senador enfrenta dificuldades para fechar alianças e ampliar seu apoio além do PL: União Brasil, Progressistas e Republicanos ainda negociam uma adesão formal.
A campanha já vinha desgastada por outras crises. Uma delas envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, a quem Flávio pediu dinheiro para financiar um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. Também pesou o desgaste com a madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, resultado de divergências em torno da eleição no Ceará, que expôs dificuldades do senador junto ao eleitorado feminino.
Desafios para crescer fora da base
Segundo análise da comentarista Julia Duailibi, da GloboNews, a fala sobre as urnas dificilmente abala o eleitorado bolsonarista mais fiel, mas pode custar a Flávio parte do apoio entre eleitores de direita não bolsonaristas e entre o eleitorado independente — justamente o público que sua campanha precisava conquistar para crescer.
O coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), avaliou o encontro com os embaixadores como “normal”, afirmando que a ocasião atende ao interesse de diversos países em conhecer o possível presidente do país.

