Os Estados Unidos prenderam Adys Lastres Morera, irmã da presidente-executiva do Gaesa, um extenso conglomerado de empresas administradas pelo Exército, disse o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, nesta quinta-feira. Morera, que entrou nos Estados Unidos como residente permanente legal em 2023, está agora sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês) aguardando processo de deportação, de acordo com um comunicado separado do ICE.
Segundo o comunicado, a presença de Morera representa uma ameaça aos Estados Unidos e prejudica os interesses da política externa norte-americana. A liderança cubana raramente fala publicamente sobre o Gaesa — Grupo de Administração Empresarial S.A..
Tal discrição seria necessária para enfrentar o bloqueio comercial e financeiro dos EUA que complica severamente os negócios da ilha com o mundo exterior.
A Reuters não conseguiu entrar em contato imediatamente com representantes de Morera para comentar o assunto.
Quem é Adys Lastres Morera e o que fazia nos EUA?

Adys Lastres Morera entrou nos Estados Unidos em 13 de janeiro de 2023, durante o governo de Joe Biden, obtendo o status de residente permanente legal (Green Card). De acordo com declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ela residia na Flórida e atuava ativamente no setor imobiliário, “gerenciando ativos imobiliários de alto padrão enquanto, simultaneamente, auxiliava o regime comunista de Havana”. Documentos oficiais revelaram que, nos mais de três anos em que viveu no país, ela nunca deu entrada em processos de naturalização para obter a cidadania norte-americana nem solicitou passaporte dos EUA.
A revogação do Green Card e o papel de Marco Rubio
A prisão não foi um processo migratório comum. Na quarta-feira, 20 de maio de 2026, o secretário Marco Rubio usou suas prerrogativas sob a Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA para revogar pessoalmente o status de residente permanente de Adys. A justificativa legal utilizada foi a Seção 237(a)(4)(C), que prevê a deportação de estrangeiros cuja presença no país possa gerar
“consequências adversas sérias para a política externa nacional”. Rubio declarou publicamente: “Não haverá lugar na Terra — muito menos em nosso país — onde cidadãos estrangeiros que ameaçam nossa segurança nacional possam viver luxuosamente”.
A conexão com o GAESA e as Forças Armadas Cubanas

Adys é irmã de Ania Guillermina Lastres Morera, a presidente-executiva do GAESA (Grupo de Administração Empresarial S.A.). O GAESA é um conglomerado multibilionário operado diretamente pelas Forças Armadas Revolucionárias de Cuba que controla setores vitais da economia da ilha, incluindo turismo (hotéis, agências e locadoras), remessas de dinheiro, lojas de varejo e zonas portuárias, respondendo por até 70% da atividade econômica cubana.
Segundo a agência de Investigações de Segurança Interna (HSI), a irmã de Adys é a principal responsável por gerenciar os ativos financeiros ilícitos que o GAESA mantém internacionalmente.
O recado de Washington e o contexto geopolítico
A operação foi conduzida por agentes da Divisão de Investigações de Segurança Interna (HSI) do ICE. O diretor executivo associado interino da HSI, John Condon, explicou o motivo da ação enérgica: “Permitir que Lastres Morera permanecesse no país enviaria um sinal de que as redes afiliadas ao regime cubano poderiam continuar a acessar as instituições financeiras, educacionais e sociais dos EUA — mas esse não é o caso”.
A prisão ocorreu em meio a um cenário de extrema pressão de Washington contra o governo de Havana. Dias antes, o Departamento de Justiça dos EUA havia revelado o indiciamento formal do ex-ditador Raúl Castro e de outras cinco autoridades cubanas pelo ataque de fevereiro de 1996, quando caças militares de Cuba derrubaram duas aeronaves civis desarmadas da organização de exilados Hermanos al Rescate, matando quatro cidadãos norte-americanos.
Além disso, no início do mesmo mês de maio, o GAESA e suas lideranças haviam sofrido uma nova rodada de sanções econômicas severas.
Situação Atual
Adys Lastres Morera foi detida e levada para uma instalação de custódia do ICE na Flórida, onde permanece detida sem direito à fiança enquanto aguarda o trâmite formal do processo de deportação de volta para Cuba. Até o momento, representantes legais ou familiares de Morera não emitiram declarações públicas em sua defesa.
*Reuters – EL País – Diario de Cuba – Univision Miami/Stéphanie Paixão

