Brasil

Estatais federais registram rombo recorde de R$ 5,9 bilhões.

Por Luiz Gomes • 28 de junho de 2026

As estatais federais, excluindo Petrobras, Eletrobras e bancos públicos, somaram um rombo recorde de R$ 5,9 bilhões nos primeiros quatro meses de 2026, segundo dados do Banco Central divulgados em 29 de maio. O resultado representa 0,14% do Produto Interno Bruto (PIB) e é o pior para um primeiro quadrimestre desde o início da série histórica, em 2002.

O prejuízo acumulado de janeiro a abril já supera o déficit total registrado em todo o ano de 2025, que foi de R$ 5,13 bilhões — o segundo pior resultado da história. O governo federal, no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, projeta que as estatais seguirão no vermelho até 2030, com déficit estimado de R$ 6,75 bilhões para 2026 e R$ 7,55 bilhões para 2027.

Correios são o principal motor do déficit

O rombo recorde das estatais é puxado principalmente pela situação dos Correios. A estatal registrou um prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, o quarto ano consecutivo de resultados negativos. O patrimônio líquido da empresa é negativo em R$ 10,4 bilhões.

Foto Agência Senado

A empresa está em reestruturação, com medidas de redução de custos, saneamento de planos de previdência complementar, reestruturação de planos de saúde, programas de demissão voluntária, alienação de imóveis ociosos e reajuste tarifário. Apesar do plano, o governo admite que “a tendência é de que a empresa ainda apresente elevado prejuízo em 2026” e que é provável que receba aportes de capital da União até 2027.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou os Correios a captarem mais R$ 8 bilhões em empréstimos. Em dezembro de 2025, a empresa já havia captado R$ 12 bilhões com um pool de bancos para garantir liquidez imediata.

Eletronuclear e outras estatais em situação crítica

A Eletronuclear, responsável pelas usinas nucleares de Angra dos Reis, é outro caso de urgência. A empresa solicitou ao governo um socorro financeiro imediato de R$ 1,4 bilhão para honrar compromissos de curto prazo. Em junho, a empresa buscou suspender o pagamento de dívidas bilionárias — cerca de R$ 3,8 bilhões — para evitar a insolvência total.

Reprodução eletronuclear

O principal fator de pressão financeira é a indefinição sobre a retomada das obras da usina de Angra 3, parada desde 2015. “Se não houver uma solução, seremos os Correios amanhã”, afirmou o presidente da Eletronuclear.

Além dos Correios e da Eletronuclear, outras estatais compõem a lista de empresas em situação de déficit recorrente, conforme relatórios do Ministério da Fazenda: Emgepron (projetos navais), Hemobrás (hemoderivados), Casa da Moeda, Infraero (impactada por concessões aeroportuárias), Serpro e Dataprev (tecnologia).

Projeções até 2030

O governo federal estima que o déficit das estatais pode chegar a R$ 6,75 bilhões em 2026 e R$ 7,55 bilhões em 2027. Para 2028, 2029 e 2030, as projeções são de R$ 6,1 bilhões, R$ 5,04 bilhões e R$ 5,71 bilhões, respectivamente. O Tribunal de Contas da União (TCU) destacou que 95% do déficit das estatais não dependentes foi puxado por apenas quatro empresas, com os Correios à frente.

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Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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