Justiça

Flávio Bolsonaro destinou emenda de R$ 200 mil a miliciano condenado no caso Marielle

Senador e candidato à Presidência enviou o valor ao Instituto IFOP a pedido de Robson Calixto, o "Peixe", condenado a 9 anos por ser elo entre executores e mandantes do assassinato de Marielle Franco; conversas com assessora do gabinete mostram a negociação, e TCU aponta indícios de desvio

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O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) destinou uma emenda parlamentar de R$ 199.999,79 ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (IFOP) , em 2023, a pedido de Robson Calixto Fonseca, o “Peixe” , condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 9 anos de prisão por ser o elo entre os executores e os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco.

As mensagens de WhatsApp obtidas pela Polícia Federal e reveladas pela revista Piauí e pelo G1 mostram a negociação entre Peixe e Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora do gabinete do senador, descrita pela PF como “interlocutora direta” do miliciano no gabinete

A negociação e os prints

Em 24 de outubro de 2023, Peixe escreveu à assessora: “Amiga vê com o nosso Senador se consegue nos ajudar” . Maria de Fátima respondeu: “Manda a solicitação meu amigo” . Em 6 de novembro, o miliciano insistiu: “Bom dia, amiga não esquece do IFOP não, vê se o Senador consegue nos agraciar, para não terminar o nosso projeto” . A assessora respondeu: “Pode deixar” .

Dias depois, em novembro de 2023, a emenda foi destinada ao instituto. O recurso deveria ser aplicado no projeto “Jogadores do Futuro” , para atender crianças no bairro Taquara, em Jacarepaguá, área de influência dos irmãos Brazão.

Mensagens entre Robson Calixto, o Peixe, e assessora do senador Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução/PF
Mensagens trocadas entre Robson Calixto, o Peixe, e assessora do senador Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução/PF
Mensagens da assessora de Flávio Bolsonaro ao miliciano Peixe — Foto: Reprodução/PF
Mensagens entre Robson Calixto, o Peixe, e assessora do senador Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução/PF
Mensagens mostram convite a Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução

Indícios de desvio apontados pelo TCU

Um relatório técnico do Tribunal de Contas da União (TCU) , feito em 2025, apontou indícios de que o dinheiro público foi desviado. O TCU identificou que a empresa contratada pelo IFOP para coordenar o projeto, a Romulo Alves – Sociedade Individual de Advocacia, tinha como atividade registrada a prestação de “serviços advocatícios” , sem relação com coordenação de projeto esportivo. Além disso, o responsável pela empresa era o próprio presidente do IFOP, configurando conflito de interesses.

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O que diz Flávio Bolsonaro

Por meio de nota, Flávio Bolsonaro negou irregularidades: “A emenda foi destinada dentro da legislação vigente e dos critérios técnicos do Ministério do Esporte. A entidade executora apresentou notas fiscais dos materiais adquiridos e devolveu os valores não utilizados. A responsabilidade pela execução dos recursos é da entidade beneficiária, não do parlamentar” .

Quem é Peixe

Robson Calixto Fonseca o “PEIXE” – REPRODUÇÃO PF

Robson Calixto Fonseca foi condenado em fevereiro de 2026 pelo STF a 9 anos de prisão e à perda do cargo de policial militar reformado. Segundo a colaboração premiada de Ronnie Lessa, assassino confesso de Marielle, foi Peixe quem o apresentou aos mandantes do crime e quem providenciou a submetralhadora HK MP5 usada nas mortes. Ele nega as acusações.

Submetralhadora HK MP5, Modelo Usado no Assassinato de Anderson e Mariele Franco – REPRODUÇÃO INTERNET

Próximos passos

A investigação sobre o desvio de emendas parlamentares tramita em sigilo no STF. O IFOP afirmou que “nunca” fez contato direto com Flávio e que contestará as conclusões do TCU. A assessora Maria de Fátima Bezerra Castro e o senador não responderam aos pedidos de comentário.

Referências

Revista Piauí — “Nosso senador”: Flávio Bolsonaro mandou emenda a miliciano do caso Marielle.

G1 — Flávio Bolsonaro destinou emenda a miliciano condenado no caso Marielle; veja prints de conversa com assessora do senador.

Nota Editorial

As informações relatadas nesta matéria refletem reportagens da revista Piauí e do G1, baseadas em mensagens de WhatsApp obtidas pela Polícia Federal e em relatório do Tribunal de Contas da União. A emenda parlamentar e a negociação são fatos documentados, mas os indícios de desvio apontados pelo TCU ainda não constituem condenação. Flávio Bolsonaro nega irregularidades e afirma que a emenda seguiu a legislação vigente. A Polícia Federal investiga o caso em sigilo no STF. O espaço para manifestação de todos os envolvidos permanece aberto.

Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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