A crise migratória na fronteira entre Marrocos e o enclave espanhol de Ceuta deixou ao menos 34 mortos e resultou na entrada de mais de 50 mil pessoas em apenas 24 horas, segundo estimativas do Ministério do Interior da Espanha. O fluxo, ocorrido entre quinta-feira (30) e sexta-feira (31), é o maior desde maio de 2021 e sobrecarregou as forças de segurança espanholas, levando o governo a enviar reforços militares.
O prefeito de Ceuta, Juan Vivas, afirmou que mais de 60 mil pessoas podem ter entrado no território. A maioria dos migrantes é composta por jovens marroquinos, mas também há famílias e crianças. Os corpos das vítimas foram encontrados nas águas próximas à cidade, onde milhares tentaram a travessia a partir do lado marroquino.
Travessia por mar e terra

Imagem: Jorge Guerrero/AFP
Imagens mostram centenas de migrantes nadando de Marrocos para Ceuta, usando boias e outros dispositivos de flutuação, enquanto outros romperam portões em terra firme e correram para dentro da cidade. A travessia ocorreu principalmente pela praia de Tarajal, que marca a fronteira entre os dois territórios.
O sindicato da Polícia Nacional da Espanha (Jupol) acusou as autoridades marroquinas de “passividade absoluta” diante do fluxo, afirmando que a situação recai exclusivamente sobre a polícia espanhola. As autoridades espanholas ainda investigam o que provocou a nova onda, mas há indícios de atuação de redes criminosas de tráfico de pessoas.
Reação do governo espanhol
O primeiro-ministro Pedro Sánchez visitou Ceuta nesta sexta-feira (31) ao lado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. O governo anunciou o envio de reforços militares e policiais para a região e afirmou que trabalhará com as autoridades marroquinas para controlar a fronteira.
A União Europeia declarou apoio à Espanha e estuda reforçar a cooperação no controle da fronteira externa do bloco, com possível ampliação da atuação da agência Frontex. Os migrantes que chegaram a Ceuta serão identificados e encaminhados a centros de acolhimento; aqueles que pedirem proteção internacional terão os pedidos avaliados, enquanto outros poderão ser devolvidos ao Marrocos.
Ceuta, junto com Melilla, é uma das únicas fronteiras terrestres da União Europeia com a África, e periodicamente registra ondas de tentativas de travessia. A crise atual lembra a de maio de 2021, quando cerca de 10 mil pessoas entraram no enclave em um dia.

