A Espanha seguirá adiante com novas regras para tornar as redes sociais e a inteligência artificial mais seguras, apesar do intenso lobby da indústria de tecnologia, disse à Reuters o ministro da Transformação Digital, Óscar López.
A Espanha vai avançar com novas normas para tornar as redes sociais e a inteligência artificial mais seguras, apesar da forte pressão das gigantes de tecnologia.
Foi o que disse em entrevista à Reuters o ministro da Transformação Digital do país, Óscar López.
“A privacidade de dados é sagrada, é exatamente por isso que aqueles que tentam estabelecer um arcabouço em torno da competitividade esquecem que o lucro de quatro empresas de tecnologia não pode vir às custas dos direitos de milhões.”
O ministro afirmou também que vozes poderosas estão lutando contra regulações que limitariam sistemas de IA de alto risco ou obrigariam as empresas a divulgar como funcionam os algoritmos de suas redes sociais.
Seus comentários ecoam declarações da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
“Somos nós que decidimos nossas regras, não as empresas de tecnologia.”
Ela disse na terça-feira que a Comissão estava mirando práticas de design viciantes e prejudiciais das empresas de redes sociais em seu novo Ato de Justiça Digital.
“Não precisamos aceitar designs de redes sociais viciantes. Não precisamos aceitar que crianças sejam levadas a conteúdos cada vez mais extremos. Não precisamos aceitar que fotos de meninas e mulheres sejam usadas para imagens sexualizadas geradas por IA.”
A Espanha fez movimentos semelhantes aos da Austrália, França e Grécia e anunciou planos para proibir o uso de redes sociais por adolescentes.
Além disso, o país está adotando legislação que responsabiliza pessoalmente os executivos por discurso de ódio em suas plataformas.
O ministro disse que há uma pandemia de saúde mental entre os jovens, com casos de cyberbullying, assédio sexual e deepfakes sexualizados gerados por IA tendo como alvo crianças.
“O que não é legal no mundo real não pode ser no virtual.”

