SÃO JOSÉ DOS CAMPOS — Durante evento oficial realizado no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou a atenção ao resgatar uma forte declaração atribuída à renomada economista Maria da Conceição Tavares, falecida em 2024. Ao comentar sobre as críticas internas e os debates calorosos que historicamente moldaram o Partido dos Trabalhadores (PT), Lula utilizou a metáfora da intelectual para ilustrar a relação de pertencimento da militância com a legenda.
Segundo o presidente, a fala ocorreu em um momento de cobranças e disputas políticas do passado. Na ocasião, Tavares teria rebatido críticos externos afirmando: “O PT é uma merda? É. Mas é minha merda, não é a sua. Então, só eu posso falar dela”
Defesa interna e “roupa suja”
A declaração foi utilizada pelo mandatário para exemplificar o pragmatismo e a lealdade que espera dos apoiadores do governo e do partido. No jargão político, a fala reflete a tradicional cultura petista de “lavar a roupa suja em casa”, na qual as divergências ideológicas e as autocríticas devem ser resolvidas internamente, sem dar munição aos adversários.
Para os aliados presentes no evento, o tom de Lula foi interpretado como um chamado à união e à defesa do legado do partido, assumindo os problemas e contradições, mas sem permitir que a oposição dite as regras do debate público.
Repercussão na oposição
Como esperado, o uso da palavra de baixo calão e o teor da autocrítica foram rapidamente capitalizados pela oposição nas redes sociais. Parlamentares e influenciadores críticos ao governo utilizaram o trecho do vídeo para ironizar a gestão atual, argumentando que a própria liderança máxima do partido “sancionou” os adjetivos negativos frequentemente direcionados ao PT.
O episódio se soma a uma série de discursos em que Lula adota um tom mais informal e improvisado para se conectar com a base militante, gerando tanto engajamento entre apoiadores quanto novas frentes de desgaste com o eleitorado de oposição.

