O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, afirmou em proposta de delação premiada que pagou US$ 30 milhões (cerca de R$ 155 milhões) ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), segundo reportagens da revista Veja publicadas na quinta-feira (11) e sexta-feira (12). O valor teria sido depositado em conta secreta no exterior como contrapartida pelo apoio do parlamentar a demandas do banco.
A informação consta da segunda proposta de delação apresentada pela defesa de Vorcaro, que foi rejeitada pela Polícia Federal na quarta-feira (10). Os investigadores avaliaram que o ex-banqueiro não apresentou novidades em relação ao que já foi descoberto e não apontou crimes cometidos por parceiros.
Alcolumbre nega acusações e diz que processará Vorcaro
Em nota à imprensa, a assessoria da presidência do Senado afirmou que as alegações são “absolutamente falsas, não procedem e serão enfrentadas com a máxima firmeza”. “O senador Davi Alcolumbre jamais recebeu valores, no Brasil ou no exterior”, diz o posicionamento.
A nota acrescenta que serão adotadas “todas as medidas judiciais cabíveis, nas esferas cível e criminal” contra os responsáveis pelas acusações. Alcolumbre é presidente do Senado e também presidente do Congresso Nacional.
Transação teria sido intermediada por ex-sócio
O pagamento teria sido operado por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. O depósito teria sido feito em conta no exterior, conforme os relatos do ex-banqueiro aos investigadores.
A proposta de delação também incluiu negócios com o PT da Bahia. O ex-ministro e ex-governador baiano Rui Costa é citado por Vorcaro. Não há referência sobre pagamento de propina, mas o ex-banqueiro teria prometido relatar como manteve em funcionamento o sistema de empréstimo consignado CredCesta, vinculado à folha de pagamento dos servidores estaduais da Bahia. O negócio rendeu lucros bilionários ao Master.
PF rejeitou proposta de delação; PGR analisa conteúdo
A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) na quinta-feira (11) que rejeitou a nova proposta de delação de Vorcaro. Os investigadores consideraram que o ex-banqueiro não trouxe fatos novos além do que já havia sido apurado.
O conteúdo do acordo ainda está em análise na Procuradoria-Geral da República (PGR). O procurador-geral, Paulo Gonet, orientou sua equipe a examinar o material com cautela e não tem prazo definido para finalizar a análise.
Segundo a Veja, advogados de Vorcaro veem motivação política na rejeição ao acordo. A equipe de defesa do ex-banqueiro teria feito chegar ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, que PF e PGR não pareceram interessadas em aprofundar algumas das denúncias, como o suposto pagamento a Alcolumbre.
Citações a Rueda e outros parlamentares
A segunda proposta de delação também menciona supostos pagamentos ao presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, segundo o Metrópoles. Rueda nega irregularidades e afirma não ter relação pessoal com Vorcaro, embora reconheça que seu escritório de advocacia prestou serviços ao Banco Master.
O senador Ciro Nogueira (PP-PI), antes citado por Vorcarocomo “amigo de uma vida”, também teria sido mencionado em novos relatos, de acordo com o Diário do Poder.
O que dizem os citados
Rui Costa afirma ter se encontrado com Vorcaro apenas uma vez, em agenda institucional, e defende a apuração dos fatos.
A análise da proposta de delação pela PGR não tem prazo definido. O conteúdo do acordo ainda pode ser rejeitado ou aceito com ressalvas pelos procuradores. O caso é relatado no STF pelo ministro André Mendonça.
