BO líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), deve se reunir nas próximas horas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em caráter de urgência. O encontro reservado, previsto para ocorrer no Palácio do Planalto, tem como objetivo central discutir a permanência do parlamentar na liderança da bancada governista e traçar as estratégias de defesa após os desdobramentos da última operação da Polícia Federal.
A reunião ocorre em um momento de extrema fragilidade para a articulação política do governo. Wagner tornou-se alvo central da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de facilidades políticas envolvendo o ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro. O cerco policial gerou um forte incômodo no núcleo duro do governo, principalmente porque o próprio presidente já havia cobrado explicações do aliado semanas atrás.
Liderança em xeque e fogo amigo
A permanência de Jaques Wagner no posto de líder do governo é considerada insustentável por uma ala do próprio Partido dos Trabalhadores. Interlocutores governistas avaliam que o desgaste de manter um investigado pela PF à frente das negociações de projetos cruciais no Congresso Nacional paralisa a agenda do Executivo e oferece munição pesada para a oposição.
Por outro lado, aliados históricos do senador baiano defendem uma saída honrosa e gradual, argumentando que uma destituição sumária soaria como uma confissão antecipada de culpa por parte do governo.
“A conversa com Lula será definitiva. Wagner sabe do peso institucional que carrega e não quer se tornar uma âncora para a gestão do presidente, mas qualquer decisão precisa ser tomada de forma a preservar a governabilidade no Senado”, revelou um importante cacique petista sob reserva.
O fator 2026
Além da governabilidade imediata, o futuro eleitoral de Jaques Wagner na Bahia também está na mesa de negociações. O escândalo financeiro ameaça diretamente os planos do PT no estado, que historicamente serve como um dos principais redutos de votos do partido. Lula quer alinhar com Wagner o tamanho do recuo tático que o parlamentar precisará fazer para evitar que as investigações contaminem a narrativa da campanha à reeleição presidencial.

