Um ciclone extratropical no oceano Atlântico provocou ressaca marítima, ventos fortes e queda acentuada de temperatura no Sul do Brasil entre quinta-feira (21) e sexta-feira (22), levando órgãos meteorológicos e marítimos a emitirem alertas para áreas costeiras de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. O sistema elevou o risco de ondas acima de 3 metros e avanço do mar em trechos urbanos do litoral.
O fenômeno ocorre após o avanço de uma massa de ar polar associada à formação do ciclone no Atlântico Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e a Marinha do Brasil emitiram avisos para frio intenso, ventos fortes e agitação marítima, com orientação para atenção redobrada em áreas costeiras e de maior altitude.

Formação de ciclone próximo ao litoral da região Sul do Brasil Imagem: MetSul
Marinha alerta para ressaca e risco de navegação
A Marinha informou que o ciclone intensificou a agitação marítima entre os litorais do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, com previsão de ondas entre 3 e 3,5 metros em mar aberto. O órgão também alertou pescadores e embarcações de pequeno porte para risco elevado de navegação.
O aviso marítimo inclui possibilidade de ressaca em áreas urbanas costeiras e rajadas de vento superiores a 70 km/h em alguns pontos do litoral sul-brasileiro. Autoridades locais recomendaram evitar aproximação de costões, molhes e trechos sujeitos à invasão do mar.
Em cidades do litoral catarinense, imagens registraram ondas atingindo avenidas costeiras e estruturas de contenção. Em alguns locais, a água avançou sobre calçadas e pistas próximas à orla.
Massa de ar polar derruba temperaturas
O avanço da frente fria associado ao ciclone provocou queda brusca de temperatura em municípios do Sul do país. O INMET emitiu alerta para declínio térmico em áreas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Segundo o instituto, a circulação atmosférica favorece o ingresso de ar polar, com potencial para temperaturas abaixo da média para o período. Municípios de serra registraram sensação térmica próxima de 0°C durante a madrugada.
A previsão indica manutenção do frio nos próximos dias, sobretudo em áreas de maior altitude. Há possibilidade de geada isolada em municípios serranos caso o céu permaneça aberto após a passagem da instabilidade.
Defesa Civil monitora áreas costeiras
Defesas civis estaduais intensificaram o monitoramento em cidades do litoral devido ao risco de alagamentos provocados pela combinação entre maré elevada, ressaca e ventos persistentes em direção ao continente.
Em Florianópolis, equipes municipais acompanharam pontos historicamente afetados pela invasão do mar. Autoridades também recomendaram atenção em áreas próximas a encostas devido ao solo encharcado após chuvas anteriores à chegada da massa de ar frio.
No Rio Grande do Sul, municípios litorâneos reforçaram orientações para evitar circulação em áreas de praia nos períodos de maior intensidade das ondas. Até a última atualização das autoridades, não havia registro oficial consolidado de vítimas.
Sistema atua afastado do continente
Meteorologistas apontam que o ciclone permanece afastado da costa, mas sua circulação influencia diretamente o comportamento do mar e das massas de ar sobre a região Sul.
O sistema se formou a partir do contraste entre massas de ar frio e quente no Atlântico Sul, condição recorrente durante períodos de transição atmosférica no outono. A configuração favoreceu a intensificação dos ventos e a formação de ondas mais elevadas.
Especialistas destacam que ciclones extratropicais diferem de furacões por não apresentarem núcleo quente tropical. Ainda assim, podem causar impactos significativos em áreas costeiras devido à combinação entre vento intenso, frio e ressaca marítima.
Maio concentra aumento de sistemas frontais
Os alertas emitidos nesta semana ocorrem em um período de maior frequência de sistemas frontais no Sul do Brasil. Entre maio e agosto, a região costuma registrar aumento na incidência de ciclones extratropicais associados à entrada de massas polares.
Órgãos meteorológicos mantêm monitoramento contínuo diante da possibilidade de novos episódios de vento forte e frio intenso nas próximas semanas. A combinação entre instabilidade oceânica e avanço de ar polar costuma provocar mudanças rápidas nas condições climáticas da região.
Novos boletins serão divulgados até sexta-feira
A Marinha do Brasil e o INMET devem atualizar os avisos meteorológicos e marítimos até sexta-feira (22), conforme a evolução do ciclone no Atlântico Sul e das condições oceânicas no litoral sul do país. Autoridades locais seguem monitorando áreas sujeitas à ressaca e ao avanço do mar.

