Dia a Dia

Caos na mobilidade: Greve dos rodoviários entra no 3º dia e paralisa principais corredores de transporte no Rio

Por Igor Alves • 1 de julho de 2026

A população da região metropolitana do Rio de Janeiro enfrenta mais uma manhã de severas dificuldades para se deslocar. A greve dos rodoviários entrou oficialmente em seu terceiro dia consecutivo nesta quarta-feira (1º), mantendo uma expressiva parcela da frota de ônibus municipais e intermunicipais trancada nas garagens. O movimento, acompanhado de perto pelo telejornal Bom Dia Rio, da TV Globo, já provoca reflexos severos em outros modais de transporte, que operam sob forte sobrecarga.

A ausência de um consenso entre os sindicatos que representam os motoristas e cobradores e as empresas de transporte urbano arrasta a crise, transformando as primeiras horas do dia em uma verdadeira corrida de obstáculos para o trabalhador carioca.

Estações lotadas

Com a operação das linhas de ônibus convencionais operando abaixo do mínimo determinado pela Justiça, os principais corredores expressos da cidade e do Grande Rio amanheceram travados. Os sistemas de trens da SuperVia e as linhas do MetrôRio registraram filas quilométricas nas plataformas de embarque desde o início da madrugada, impulsionadas pela migração em massa dos passageiros que dependem do transporte rodoviário.

O reflexo nas principais vias — como a Avenida Brasil, a Linha Vermelha e a Ponte Rio-Niterói — foi imediato. O volume de carros de passeio e veículos de aplicativos explodiu, gerando engarrafamentos recordes que impactaram inclusive o horário de funcionamento de postos de saúde, escolas e do comércio central.

“A situação chegou a um limite insustentável para a população. A cidade não tem como funcionar sem a totalidade da sua rede de ônibus. As perdas econômicas e o desgaste físico para quem precisa trabalhar se acumulam a cada hora de paralisação”, desabafou um analista de mobilidade urbana entrevistado pela reportagem.

Impasse nas negociações e multas judiciais

A paralisação se sustenta devido ao profundo impasse em torno do reajuste salarial, do valor do ticket-alimentação e das condições de segurança nos terminais. Enquanto o sindicato dos trabalhadores exige a reposição integral da inflação e melhorias estruturais imediatas, o sindicato patronal alega desequilíbrio econômico no caixa das empresas devido ao congelamento de tarifas e à concorrência do transporte clandestino.

Embora o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) tenha emitido uma liminar estipulando multas diárias pesadas em caso de descumprimento do plano de contingência para horários de pico, a adesão à greve continua robusta nas garagens das zonas Norte e Oeste. Uma nova audiência de conciliação está agendada para tentar colocar fim à greve e desenhar um plano de retomada total dos serviços.

Garagem da Viação Redentor, no Rio — Foto: Reprodução/TV Globo

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Igor Alves
Sobre o autor

Igor Alves

Jornalista político com 10 anos de atuação direta em Brasília. Especialista na cobertura dos Três Poderes, combina a análise crítica dos bastidores do Congresso com um olhar documental sobre o cotidiano do Palácio do Planalto, da Câmara Federal e do Senado Federal.

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