Eleições 2026

Caiado eleva tom, chama Flávio Bolsonaro de ‘kinder ovo’ e critica ‘filhos complicados’

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Sāo Paulo 23 de agosto de 2026

Ronaldo Caiado critica ‘famílias complicadas’, mas esconde que sua própria oligarquia manda em Goiás há mais de 100 anos

Nas sabatinas promovidas para as Eleições de 2026, o ex-governador de Goiás e candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, elevou o tom contra seus principais adversários.

Em discursos inflamados e entrevistas recentes, Caiado atacou o que chamou de “República dos filhos complicados”. O alvo principal foi o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a quem apelidou pejorativamente de “candidato kinder ovo” (por trazer uma surpresa negativa a cada dia) e de “frango de granja”.

O goiano também disparou contra Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, igualando os escândalos da esquerda e da direita. Para Caiado, as polêmicas financeiras envolvendo os filhos das maiores lideranças do país tiram a autoridade moral de ambos os lados para governar.

Ele cobrou explicações severas sobre o repasse de R$ 61 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme biográfico “Dark Horse”, que envolve o clã bolsonarista.Contudo, a contundente crítica do candidato do PSD à “herança familiar” alheia esbarra em uma enorme contradição histórica.

Ao se apresentar como a grande novidade de centro-direita e o paladino da moralidade pública, Caiado omite que sua própria trajetória política está profundamente alicerçada em uma das oligarquias agrárias mais longevas do Brasil. Enquanto condena os “filhos da polarização”, o candidato esconde que sua família manda em Goiás há mais de 130 anos.

O Coronelismo de Totó Caiado na República Velha

O poder político da família Caiado remonta ao final do século XIX e consolidou-se fortemente no início do século XX com Antônio Ramos Caiado, o “Totó Caiado”. Patriarca da linhagem e tio-avô do atual candidato presidencial, Totó comandou o estado de Goiás com punho de ferro durante a República Velha.

Por meio do Partido Democrata, a família controlava o acesso a cargos públicos, ao poder judiciário e às forças policiais do estado. Esse domínio coronelista era tão asfixiante que o clã Caiado precisou ser destituído do poder central de Goiás diretamente pelas forças da Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas, que nomeou interventores federais para enfraquecer o poder das velhas oligarquias cafeeiras e latifundiárias.

Sobrevivência e Retorno de um Clã Secular

Apesar do duro golpe sofrido em 1930, a família Caiado demonstrou uma impressionante capacidade de sobrevivência política, mantendo forte influência regional nas décadas seguintes. O clã soube se reinventar no cenário nacional por meio de:

Bancada Ruralista: Formação de fortes lideranças ligadas ao agronegócio e à defesa dos grandes latifundiários.

Cargos Legislativos: Presença constante de membros da família ocupando cadeiras como deputados federais e senadores ao longo das repúblicas brasileiras.

Resistência às oposições: Manutenção do poder local mesmo enfrentando o avanço de grupos políticos rivais, como o frentismo de Mauro Borges ou a posterior hegemonia regional do MDB de Iris Rezende.

*O atual candidato ao Palácio do Planalto, Ronaldo Caiado* , é o herdeiro direto dessa estrutura de poder. Médico e um dos fundadores da União Democrática Ruralista (UDR) na década de 1980, ele exerceu cinco mandatos como deputado federal, um como senador e governou Goiás por dois mandatos consecutivos, elegendo seu sucessor na máquina estadual.

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Jota luis
Sobre o autor

Jota luis

Especializado na intersecção entre política, economia e geopolítica, traduz as grandes movimentações do cenário nacional e internacional de forma direta e estratégica. Com olhar atento aos bastidores do poder e aos mercados, busca entregar contexto e clareza para o leitor que precisa entender as engrenagens que movem o mundo.

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