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Brasilia 22 de agosto de 2026..
Fernando Bittar, dono formal da propriedade que marcou a Lava Jato, reaparece ao lado do filho do presidente em investigações da Polícia Federal sobre tráfico de influência no governo.
O nome de Fernando Bittar ficou nacionalmente conhecido durante o auge da Operação Lava Jato. Proprietário oficial do Sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP) local de refúgio da família Lula reformado por empreiteiras com contratos na Petrobras Bittar sempre figurou como uma peça central na engrenagem que ligava os negócios privados de seu grupo de amigos ao poder público. Anos após o caso do sítio, velhos conhecidos e o mesmo ecossistema de relações voltam a assombrar o Palácio do Planalto.
Investigações recentes da Polícia Federal trouxeram de volta a amizade e a sociedade entre Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, e Fernando Bittar para as manchetes. Desta vez, o foco da apuração não são reformas em imóveis rurais, mas um suposto esquema de tráfico de influência e intermediação de interesses privados junto a ministérios e autarquias do governo federal.
Do Sítio ao WhatsApp: O Grupo “Musaranhos”
As apurações da PF revelam que a parceria iniciada nos tempos da empresa de games Gamecorp e da compra do sítio em Atibaia manteve-se ativa nos bastidores. Em diálogos obtidos pelos investigadores em inquéritos sigilosos, Lulinha e Bittar mantinham um grupo de mensagens ao lado da lobista Roberta Luchsinger batizado de “Musaranhos“.
Segundo os relatórios policiais, o trio atuava como uma espécie de “sociedade oculta” para agendar reuniões de alto nível em pastas como o Ministério da Saúde e a Telebras, buscando destravar contratos e normativas do interesse de empresários parceiros — entre eles Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”
“Fefe [Fernando Bittar], Fábio e eu somos uma coisa só. Se um fala vai, todos vão”, escreveu a lobista em uma das conversas interceptadas, ressaltando que cabia a Lulinha agir nos bastidores quando o acesso político exigia o peso de seu sobrenome.
O Repetitivo Padrão de Atuação
A reiteração dos personagens chama a atenção de analistas e investigadores:
O Elo Familiar: Fernando Bittar é filho de Jacó Bittar, ex-prefeito de Campinas e fundador do PT, cuja proximidade histórica com o presidente Lula vem desde as décadas de 1970 e 1980.
A Divisão de Papéis: Assim como no caso do Sítio de Atibaia — onde Bittar figurava na linha de frente dos documentos enquanto a família do presidente usufruía do local —, nas novas investigações aponta-se que Lulinha mantinha uma postura discreta (“tinha que se preservar”, segundo as mensagens), deixando a operacionalização de rotina para Bittar e seus interlocutores.
A Circulação de Recursos: A PF apura a movimentação de dinheiro vivo e o custeio de despesas operacionais do grupo, reacendendo o debate sobre as divisas entre relações pessoais de amizade e o uso de prestígio político junto à máquina pública.
A defesa dos envolvidos nega qualquer irregularidade e sustenta que as movimentações se tratavam de articulações privadas legítimas, sem interferência ilícita em órgãos do governo. Contudo, a reemergência das conexões de Atibaia lança novas sombras sobre o entorno empresarial da família presidencial em pleno ano eleitoral.

