Os governos do Brasil e da Coreia do Sul anunciaram nesta segunda-feira (27) a criação de um grupo de trabalho para avançar nas negociações de um acordo comercial entre o país asiático e o Mercosul. A iniciativa foi anunciada após reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente sul-coreano, Lee Jae-Myung, no Palácio da Alvorada, em Brasília.
“Decidimos criar um grupo de trabalho que vai identificar sensibilidades dos dois lados e evitar que elas sejam um empecilho para a retomada das negociações de um acordo do Mercosul com a Coreia”, afirmou Lula. O grupo será coordenado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.
As negociações entre o Mercosul e a Coreia do Sul foram iniciadas em 2018, mas não avançaram nos últimos anos. O presidente sul-coreano defendeu a retomada das tratativas em meio ao cenário de incertezas no comércio internacional, marcado por disputas tarifárias, como o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil.
“No momento em que há muitas incertezas no âmbito comercial, o acordo entre Brasil e Coreia não pode mais esperar. Ele é para agora. Acreditamos que o acordo entre Mercosul e Coreia vai trazer para as empresas coreanas uma maior oportunidade de entrar no mercado da América do Sul e trazer uma nova perspectiva ao mercado asiático para o Brasil, via Coreia”, afirmou Lee Jae-Myung.
Cooperação em minerais críticos e outras áreas
Além do comércio, Brasil e Coreia do Sul assinaram acordos de cooperação em áreas como defesa, educação, energia, ciência e tecnologia, esporte e exploração espacial. Um dos temas centrais foi a cadeia de minerais críticos, considerados estratégicos para setores como tecnologia, energia renovável e indústria de alta tecnologia.

“Como se sabe, o Brasil é um dos principais detentores dos minerais críticos. E hoje o presidente Lula e eu concordamos em expandir a cooperação em todo o ciclo de vida desses minerais na cadeia de suprimento, fortalecendo a cooperação mútua de maneira benéfica”, declarou o presidente sul-coreano.
O governo brasileiro busca intensificar negociações com outros países após a nova leva do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que impacta setores importantes da economia. A gestão petista busca mitigar esses impactos investindo em outros parceiros comerciais.
Acordos bilaterais e comunidade coreana
Também houve assinatura de acordo para intercâmbio de experiências em políticas educacionais e a aproximação entre instituições de ensino dos dois países. Brasil e Coreia assinaram um memorando de entendimento para estabelecer a cooperação entre as agências para a exploração e empreendimento de atividades espaciais pacíficas, além de um acordo para promover a cooperação em pesquisa, desenvolvimento e inovação aplicados ao setor industrial e ao intercâmbio esportivo.
Após a agenda em Brasília, a comitiva sul-coreana segue para São Paulo, cidade que concentra a maior comunidade coreana do país, com mais de 50 mil pessoas. O Brasil é o principal destino de imigrantes coreanos na América Latina.

