Economia

Bolsas mundiais sobem e petróleo cai após acordo entre EUA e Irã

Por Luiz Gomes • 15 de junho de 2026

Um entendimento preliminar entre as partes prevê o encerramento do conflito e a reabertura do Estreito de Ormuz, movimento que contribuiu para uma queda superior a US$ 4 por barril nos preços internacionais do petróleo.

As bolsas de valores ao redor do mundo registraram forte alta nesta segunda-feira (15) após Estados Unidos e Irã anunciarem um acordo preliminar para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. O petróleo Brent caiu mais de 5%, para US$ 82,96 por barril, por volta das 8h26 (horário de Brasília).

O anúncio, feito no domingo (14) pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, um dos mediadores, reduziu a preocupação dos investidores com a inflação global e com a oferta de energia. O conflito entre as duas nações dura quase quatro meses.

Bolsas asiáticas fecham em alta com recorde no Japão

O índice japonês Nikkei 225 fechou em alta de 4,99% em Tóquio, atingindo 69.317,50 pontos — seu maior patamar histórico. O sul-coreano Kospi saltou 5,20% em Seul, para 8.545,98 pontos.

Em outras partes da Ásia, o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,50%, para 24.842,67 pontos; o Taiex, de Taiwan, avançou 2,78%, para 45.396,99 pontos; e o Sensex, da Índia, subiu 1,2%. Na China continental, o Shanghai Composto registrou alta de 1,61%, para 4.096,47 pontos.

Na Oceania, a bolsa da Austrália subiu 1,25%, com o índice S&P/ASX 200 encerrando o pregão em Sydney a 8.914,00 pontos.

Europa e Wall Street também operam em alta

Os mercados europeus abriram em forte alta. Por volta das 8h26 (horário de Brasília), o DAX, da Alemanha, subia 1,25%; o CAC 40, da França, avançava 1,16%; e o FTSE 100, do Reino Unido, registrava alta de 0,12%. O índice pan-europeu Stoxx 600 superou o recorde anterior de 27 de fevereiro, recuperando as perdas acumuladas desde o início da guerra.

Nos Estados Unidos, os contratos futuros indicavam abertura positiva. O S&P 500 avançava cerca de 1,2% antes da abertura das negociações.

Petróleo cai para nível mais baixo desde março

O barril do Brent, referência internacional, era negociado a US$ 82,96, em queda de 5%, por volta das 8h26. O WTI, referência nos EUA, recuava 5,54%, para US$ 80,18. Ambos os contratos caíram para seus níveis mais baixos desde 10 de março, após uma queda de mais de 3% na sexta-feira (12).

A queda reflete a expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial em condições normais. A normalização dos preços dos combustíveis e dos fretes marítimos, no entanto, pode levar meses, pois empresas de navegação e seguradoras aguardam garantias de cumprimento do acordo.

Acordo prevê cessar-fogo e reabertura do Estreito de Ormuz

Segundo o anúncio oficial, as partes concordaram com um cessar-fogo e com a reabertura do Estreito de Ormuz. Trump autorizou o fim do bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos e defendeu a retomada do fluxo de petróleo pela região.

O Irã confirmou o entendimento, mas indicou que a implementação só começará após a assinatura formal do acordo. A assinatura está prevista para sexta-feira (19), na Suíça. O governo iraniano afirma que começará a aplicar o cessar-fogo antes da assinatura, mas a implementação completa dependerá da formalização do documento.

Negociações mais amplas, incluindo temas como o programa nuclear iraniano, devem prosseguir pelos próximos 60 dias. O texto definitivo do acordo ainda não foi divulgado.

Foto: Reprodução/X

Dólar perde força no exterior

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de divisas fortes, recuava para cerca de 99,5 pontos nesta segunda-feira, pressionado pela redução das tensões geopolíticas. O euro avançava para US$ 1,1607 (alta de 0,35%), e a libra esterlina era negociada a US$ 1,3448 (ganho de 0,3%).

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Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.