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Reportagem em Parceria com Jota Luis
A participação de Augusto Cury no primeiro debate presidencial de 2026 provocou uma alta expressiva na presença digital do candidato do Avante. Um levantamento da Vox Radar apontou crescimento de **19,4% no número de seguidores do escritor no Instagram** após o debate realizado no domingo, 23 de agosto.
Publicações feitas nas redes sociais após o programa estimaram que Cury havia conquistado mais de **600 mil novos seguidores em 48 horas**. O movimento também foi acompanhado por aumento nas buscas pelo nome do candidato, que se tornou um dos assuntos políticos mais pesquisados no período.
O crescimento, porém, ainda não aparece na mesma proporção nas pesquisas eleitorais. Levantamentos divulgados depois do debate registraram Cury com **2% das intenções de voto** em cenários estimulados de primeiro turno, dentro da margem de erro das pesquisas.
Debate ampliou alcance digital
Cury chegou ao debate como um candidato pouco conhecido do grande público político, mas com uma base expressiva ligada à carreira de escritor, psiquiatra e palestrante. A participação no programa ampliou a exposição de suas falas e levou trechos do confronto a circularem em vídeos curtos e publicações nas redes.
O momento de maior repercussão ocorreu quando o candidato criticou a postura de Renan Santos, que havia atacado eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Renan, você tem um nível de agressividade que me assombra”, afirmou Cury durante o debate.
A fala foi compartilhada por apoiadores e perfis políticos, ajudando a associar o candidato a uma imagem de moderação e rejeição à polarização. Outros trechos sobre saúde mental, pacificação de conflitos e combate à violência também passaram a circular em formato de cortes.
O desempenho digital foi impulsionado pela combinação entre o reconhecimento prévio do escritor e a novidade de sua candidatura. Cury vendeu mais de 30 milhões de livros no Brasil, mas ainda tenta converter essa notoriedade cultural em identificação política.
Candidato diz que algoritmos limitam campanha
Antes do debate, Cury já afirmava ter uma base superior a 15 milhões de seguidores nas redes sociais. Segundo ele, o tamanho da audiência não significava que suas mensagens alcançassem a maioria dos usuários.
“As redes sociais não são democráticas. O algoritmo manda para 2% a 3% da base. Eu tenho mais de 15 milhões de seguidores, mas o algoritmo não envia”, afirmou Cury.
O candidato atribuiu o baixo conhecimento sobre sua candidatura à falta de recursos para impulsionar publicações. Também declarou que campanhas adversárias gastariam mais de R$ 30 milhões por mês com anúncios, enquanto sua equipe investiria “centenas de vezes menos”. A afirmação sobre os gastos dos adversários não foi acompanhada de documentos públicos apresentados na entrevista.
A estratégia de Cury combina o alcance orgânico obtido após o debate com a propaganda eleitoral no rádio e na televisão. A equipe também aposta em novas entrevistas e confrontos públicos para ampliar o reconhecimento do nome e apresentar suas propostas fora do ambiente digital.
Crescimento ainda não altera a disputa
O desempenho nas redes ocorre em uma eleição liderada por Lula e Flávio Bolsonaro. Em pesquisas recentes, Cury aparece com 2% no primeiro turno, atrás de Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema, e distante dos dois primeiros colocados.
O resultado sugere que a visibilidade digital ainda não se transformou automaticamente em intenção de voto. Seguidores, visualizações e buscas indicam interesse ou exposição, mas não medem necessariamente apoio eleitoral, disposição para votar ou capacidade de mobilização nas urnas.
A própria estrutura da candidatura reforça esse desafio. Cury se apresenta como uma alternativa à polarização entre lulismo e bolsonarismo, mas sua campanha precisa transformar a atenção obtida nas redes em reconhecimento de propostas, organização territorial e presença entre eleitores que ainda não acompanham seu trabalho.
A alta também pode ser temporária e estar relacionada ao ciclo de repercussão do debate. A continuidade do crescimento dependerá da frequência de publicações, da capacidade de manter conteúdos circulando e da exposição do candidato nos próximos eventos da campanha.
De escritor a candidato
A entrada de Cury na política representa uma mudança em relação à carreira que o tornou conhecido. Aos 67 anos, ele tenta levar para a disputa presidencial temas associados à saúde mental, à educação, à inteligência emocional e à pacificação de conflitos.
O candidato defende uma “mente capitalista e um coração social”, com Estado enxuto, proteção de direitos humanos e revisão do sistema prisional. Também propõe mudanças na estrutura do presidencialismo e no funcionamento do Supremo Tribunal Federal.
A presença nas redes será central para explicar essas propostas. O desafio é evitar que o crescimento seja limitado à repercussão de frases isoladas e fazer com que a audiência digital conheça o programa de governo como um conjunto de medidas.
Por enquanto, o cenário é de aumento de visibilidade, mas sem mudança consolidada no quadro eleitoral. Cury ganhou espaço no ambiente digital após o debate; as próximas pesquisas indicarão se esse impulso alcançará o comportamento dos eleitores.

