Uma arma de fogo registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro foi apreendida pela Polícia Militar do Distrito Federal na noite desta segunda-feira (15) durante uma blitz de rotina no Pistão Norte, em Taguatinga. O armamento estava na posse de um sargento do Exército Brasileiro lotado no Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
Segundo boletim os policiais militares acharam a pistola Glock 9mm no assoalho do carro, inicialmente alegou que o armamento estava registrado em sua carteira funcional, mas a fiscalização constatou que não havia registro. Após isso foi constatada que a arma estava registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro .
O militar, identificado como Estácio, foi abordado durante a fiscalização e conduzido à 21ª Delegacia de Polícia (Pistão Sul) para prestar esclarecimentos. Ele apresentou documentação referente ao porte funcional e informou imediatamente aos policiais que a arma pertencia a Bolsonaro.
Ministro Alexandre de Moraes exige explicações em 24 horas
O ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro explique a apreensão da arma atribuída a ele durante a ação policial. Moraes quer esclarecimentos sobre a posse e a retirada temporária do armamento, após o militar informar à polícia que a arma pertenceria a Jair Bolsonaro e estaria em manutenção. A defesa deverá prestar informações ao Supremo dentro do prazo definido pela decisão:
“Diante do exposto, (…) determino, no prazo de 24h (vinte e quatro horas), que: 1) A Defesa de JAIR MESSIAS BOLSONARO se manifeste sobre o referido Boletim de Ocorrência, esclarecendo, inclusive, a razão pela qual o condenado mantinha uma arma de fogo em casa, com carregador sobressalente e porque, às vésperas do encerramento do período de 90 (noventa) dias concedido à titulo de prisão domiciliar humanitária, o condenado solicitou a realização de reparo no armamento”, diz o documento.
Sargento disse que levava arma para reparo
Em depoimento, o sargento afirmou que retirou o armamento na própria segunda-feira (15) para realizar um reparo mecânico após identificar uma pane no percussor, que segundo ele seria de simples solução. O militar disse que a arma seria devolvida ao proprietário nesta terça-feira (16), após a conclusão do conserto.
Apesar de possuir porte de arma, a situação chamou a atenção dos agentes porque o armamento estava registrado em nome de terceiros. Diante da circunstância, a arma foi apreendida e o caso encaminhado para análise da Polícia Civil.
A 21ª Delegacia de Polícia vai apurar as circunstâncias da posse da arma, a regularidade do transporte do armamento e a documentação apresentada pelo militar.
Bolsonaro está em prisão domiciliar
O ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre atualmente pena em regime de prisão domiciliar. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado, ele começou a cumprir a pena em novembro de 2025.
Em março deste ano, Bolsonaro foi internado com um quadro de broncopneumonia aspirativa. A defesa pediu a concessão de prisão domiciliar humanitária, alegando a necessidade de monitoramento médico constante. O ministro Alexandre de Moraes concedeu a medida por 90 dias, com condições restritivas, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de utilizar celular ou qualquer meio de comunicação externa.
A reportagem da Jovem Pan procurou a defesa do ex-presidente para comentar a apreensão, mas não obteve resposta até a publicação. O espaço segue aberto.
* essa matéria está em atualização

