Brasil

Após caso Dark Horse, Lula amplia vantagem sobre Flávio Bolsonaro

Por Luiz Gomes • 22 de maio de 2026
Compartilhe

SÃO PAULO — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) para nove pontos percentuais no primeiro turno e quatro pontos no segundo turno, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (22). O levantamento, realizado entre 20 e 22 de maio, é o primeiro a captar integralmente o impacto das revelações do caso “Dark Horse”, que envolve o parlamentar fluminense e o banqueiro Daniel Vorcaro.

No cenário de primeiro turno, Lula registra 40% das intenções de voto, contra 31% de Flávio Bolsonaro. Na rodada anterior do instituto, realizada na semana passada, a distância entre os dois era de três pontos (38% a 35%). Em uma eventual simulação de segundo turno, o petista agora supera o senador por 47% a 43%, revertendo o empate técnico de 45% registrado há sete dias.

Lula lidera isolado com 40% no primeiro turno

O desempenho de Lula no primeiro turno isola o presidente na liderança da corrida eleitoral para 2026. Com 40% das intenções de voto, o petista abriu uma distância superior à margem de erro de dois pontos percentuais em relação ao segundo colocado. Flávio Bolsonaro, que vinha em trajetória de ascensão nas pesquisas anteriores, recuou para 31% após a eclosão do escândalo financeiro ligado à produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os demais candidatos testados pelo Datafolha permanecem em patamares reduzidos, sem ameaçar a polarização entre os líderes. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), aparece com 4%, seguido pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com 3%. Também registram 3% Renan Santos (Missão) e Samara Martins (UP). Augusto Cury (Avante) marca 2%, enquanto Rui Costa Pimenta (PCO), Cabo Daciolo (Mobiliza) e Aldo Rebelo (DC) têm 1% cada. O índice de votos brancos, nulos ou nenhum é de 9%, e 3% não souberam responder.

Vantagem petista consolida-se no segundo turno

Nas simulações de segundo turno, Lula ampliou a vantagem contra todos os adversários testados pelo instituto. O confronto direto com Flávio Bolsonaro mostra o maior deslocamento de votos: o petista oscilou dois pontos para cima (47%) e o senador dois para baixo (43%). O movimento ocorre no limite da margem de erro, mas consolida uma tendência de recuperação do governo em meio à crise enfrentada pela oposição.

Contra Ronaldo Caiado, Lula venceria por 48% a 39%, mesmo placar registrado no embate contra Romeu Zema (48% a 39%). Na semana passada, Lula vencia Caiado por 46% a 39% e Zema por 46% a 40%. O instituto aponta que a melhora nos índices de Lula ocorre principalmente entre eleitores de baixa renda e na região Nordeste, enquanto Flávio mantém força entre evangélicos e moradores do Sul e Centro-Oeste.

Michelle Bolsonaro aparece como alternativa no PL

O Datafolha também testou o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como possível substituta de Flávio na disputa presidencial. Em um cenário de primeiro turno sem o senador, Michelle registra 22% das intenções de voto, ficando 19 pontos atrás de Lula, que alcança 41%. Nesse quadro, Romeu Zema sobe para 6% e Ronaldo Caiado para 5%, indicando uma fragmentação maior dos votos de direita quando o nome principal da família Bolsonaro não está na urna.


Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama — Foto: Divulgação/PL Mulher

Em um eventual segundo turno entre Lula e Michelle, o presidente venceria por 48% a 43%. O resultado é idêntico ao desempenho de Flávio Bolsonaro no limite superior da margem de erro, sugerindo que o teto eleitoral do bolsonarismo permanece estável em torno de 43% no momento. A rejeição de Michelle, no entanto, é significativamente menor que a de Flávio: 31% contra 46%, o que a torna um ativo político importante para as eleições legislativas.

Rejeição de Flávio Bolsonaro atinge 46%

A rejeição aos candidatos é um dos principais obstáculos para a expansão das candidaturas. Flávio Bolsonaro lidera este quesito com 46% dos eleitores afirmando que não votariam nele “de jeito nenhum”. O índice é numericamente superior à rejeição de Lula, que marca 45%, embora ambos estejam tecnicamente empatados dentro da margem de erro. A alta rejeição do senador é atribuída pelo instituto ao desgaste provocado pelas investigações recentes.

Atrás dos líderes, Michelle Bolsonaro registra 31% de rejeição. Romeu Zema e Cabo Daciolo aparecem com 18% cada, seguidos por Renan Santos e Rui Costa Pimenta, ambos com 16%. Ronaldo Caiado e Aldo Rebelo têm 15% de rejeição, enquanto Samara Martins registra 13%. O levantamento indica que apenas 1% dos eleitores não rejeita nenhum dos nomes apresentados, e 2% rejeitam todos os candidatos.

Repercussão do caso Dark Horse e Daniel Vorcaro

O fator determinante para a mudança no quadro eleitoral foi a revelação do caso “Dark Horse”. Segundo reportagem do portal Intercept Brasil, o senador Flávio Bolsonaro teria solicitado apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar um documentário sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. A divulgação de áudios e mensagens de texto comprometeu o discurso de campanha do senador, que inicialmente negou os contatos.

O Datafolha perguntou especificamente sobre o episódio: 64% dos entrevistados afirmaram ter tomado conhecimento das notícias sobre Flávio e o banqueiro. Dentre os que souberam do caso, 64% avaliaram que o senador agiu mal. A crise provocou a troca do marqueteiro da campanha de Flávio nesta semana, em uma tentativa de estancar a perda de apoio entre eleitores moderados e do mercado financeiro.

Conhecimento dos candidatos pelo eleitorado

O grau de conhecimento dos candidatos também influencia os resultados. Lula é “muito bem conhecido” por 65% do eleitorado, o maior índice da pesquisa. Flávio Bolsonaro é conhecido muito bem por 34%, seguido por Michelle Bolsonaro com 27%. O senador conseguiu ampliar sua visibilidade nacional desde o lançamento de sua pré-candidatura no final do ano passado, mas o aumento do conhecimento veio acompanhado de alta rejeição.

Os demais postulantes ainda enfrentam dificuldades de nacionalização. Romeu Zema é muito bem conhecido por apenas 13% dos brasileiros, e Ronaldo Caiado por 11%. Entre os eleitores que não conhecem os governadores de Minas e Goiás, o potencial de voto é considerado alto, mas a falta de exposição nos grandes centros urbanos fora de seus estados de origem limita o crescimento nas simulações de primeiro turno.

O cenário político aguarda agora a reação do PL e da família Bolsonaro aos números. Interlocutores do partido indicam que a candidatura de Flávio será mantida, mas haverá um esforço para desvincular sua imagem do escândalo financeiro. Por outro lado, o governo Lula planeja utilizar os dados de aprovação regional para reforçar agendas positivas no Sul e Sudeste nas próximas semanas. A próxima pesquisa nacional do instituto está prevista para o mês de junho.

Ficha técnica e registro no TSE

A pesquisa Datafolha foi realizada presencialmente com 2.004 pessoas em 139 municípios de todas as regiões do país. O trabalho de campo ocorreu entre os dias 20 e 22 de maio de 2026. A margem de erro máxima prevista é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. O levantamento está devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07489/2026.

Fonte: Datafolha