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Aliados de Flávio Bolsonaro manifestam apoio e dizem que decisão de Moraes pode gerar “efeito rebote”

Por Luiz Gomes • 14 de julho de 2026

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) manifestaram apoio público à carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e lida pelo filho em transmissão ao vivo no último sábado (11). O documento, que pede união em torno da pré-candidatura de Flávio à Presidência, foi divulgado em meio a atritos do senador com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

No texto, Bolsonaro afirma que Flávio é seu “porta-voz” e “a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento”. A divulgação motivou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender por 90 dias as visitas de Flávio ao pai, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. O prazo cobre integralmente o período da campanha eleitoral do primeiro turno.

Aliados reforçam união e criticam divisões internas

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) escreveu no X:

Deputado Federal Nikolas Ferreira em seu Gabinete — Foto: Brenno Carvalho

“Desde que o presidente Jair Bolsonaro tomou sua decisão, estamos juntos no projeto Flávio Presidente e trabalhando por isso. Infelizmente, alguns parecem não conseguir obedecer nem mesmo o líder que dizem seguir.” 

A declaração foi interpretada como uma crítica indireta a Michelle Bolsonaro, que não é citada na carta nem pelos aliados.

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), também reforçou o recado de união: “Juntos pelo Brasil. Flávio Bolsonaro presidente.” O ex-ministro da Previdência Onyx Lorenzoni (PP-RS) afirmou:

“A carta do presidente Bolsonaro aos brasileiros foi bem clara sobre a necessidade de deixarmos as pequenas diferenças de lado, os projetos pessoais e nos unirmos em torno do nome de Flávio Bolsonaro.”

O deputado Mário Frias (PL-SP) escreveu: 

“A mensagem não deixa espaço para dúvidas. A missão agora é uma só: trabalhar incansavelmente para eleger Flávio Bolsonaro presidente do Brasil.”

Deputado Mario Frias . Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Flávio não consultou advogados antes de divulgar carta, dizem aliados

Segundo interlocutores do senador a iniciativa de escrever a carta partiu do próprio ex-presidente, que queria dar um basta às disputas em torno de sua sucessão. Flávio não teria consultado sua equipe jurídica antes de divulgar o texto.

O senador encarou a iniciativa como um gesto do pai em defesa de sua candidatura e, por isso, não viu necessidade de consultar previamente advogados. No entanto, a divulgação da carta motivou a decisão de Moraes, que entendeu que o direito de visita foi usado para contornar a proibição imposta a Bolsonaro de utilizar plataformas digitais, direta ou indiretamente.

O ministro também enviou o caso ao procurador-geral eleitoral para apuração de eventual propaganda eleitoral antecipada. A defesa de Flávio classificou a decisão como “ilegal e inconstitucional” e afirmou que adotará medidas judiciais para reverter a suspensão.

Aliados torcem por “efeito rebote” e avaliam impactos na campanha

Nos bastidores da campanha, aliados avaliam que a decisão de Moraes pode produzir um “efeito rebote” e reforçar a visão de perseguição política entre o eleitorado bolsonarista. Um membro do núcleo da pré-campanha afirmou ao Estadão que a proibição pode “ampliar a solidariedade ao campo representado pelo Flávio Bolsonaro”.

A equipe do presidenciável acredita que a decisão não vai interferir nas articulações políticas, uma vez que a medida pode ser driblada pela visita do advogado Paulo Cunha Bueno ao ex-presidente, e que “já estava tudo decidido” antes da decisão de Moraes.

Outro aliado citou precedentes: “O que aconteceu com Michelle [quando divulgou cartas do marido]? Nada!” A ex-primeira-dama já havia divulgado recados escritos por Bolsonaro em fevereiro e março deste ano sem que houvesse consequência semelhante.

Oficialmente, a equipe de Flávio adota tom combativo. O coordenador-geral da pré-campanha, Rogério Marinho, divulgou nota chamando a decisão de Moraes de “autoritária, desproporcional e, na prática, tenta tornar o ex-presidente incomunicável, uma clara interferência no jogo político”. Marinho mencionou que Lula, quando preso em 2018, “recebeu centenas de visitas e manteve interlocução política com seus aliados”.

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Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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