Historicamente, o grupo de partidos conhecido como Centrão (PSD, PP, União Brasil, Republicanos, MDB, entre outros) percebeu que lançar um candidato próprio à Presidência traz custos e riscos desproporcionais:
1. A Matemática do Fundo Eleitoral
A maior parte dos R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral é distribuída com base no desempenho parlamentar das siglas:
- 48% da verba é dividida conforme o tamanho da bancada eleita para a Câmara dos Deputados.
- 35% depende dos votos totais obtidos para Deputado Federal.
- 15% depende do tamanho da bancada no Senado.
- Apenas 2% é dividido de forma igualitária.
A conta é simples: Gastar centenas de milhões de reais em uma campanha presidencial com alta chance de derrota destrói o caixa do partido. Concentrar essa mesma verba em deputados e senadores garante o tamanho da bancada e assegura o “fundão” da eleição seguinte.
2. Presidência Passa, o Congresso Fica
Lançar candidato ao Planalto gera polarização e atrito com potenciais aliados. Sem um nome na cabeça de chapa, os partidos do Centrão ganham margem para:
- Liberdade Regional: Permitir que palanques estaduais se coliguem tanto à esquerda quanto à direita, aumentando a votação dos deputados locais.
- Poder de Barganha Imediato: Quem quer que seja eleito Presidente da República precisará formar maioria para governar. Com bancadas pesadas na Câmara e no Senado, o Centrão se torna indispensável para aprovar projetos, negociar ministérios e gerenciar a distribuição de orçamento e emendas.
3. Vender o Apoio x Pagar a Conta
Em termos de mercado político, disputar o Planalto é assumir o risco da operação. Não disputar e focar no Legislativo permite ao Centrão atuar como “sócio do governo” — qualquer que seja o vencedor —, sem ter arcado com o custo desgaste da campanha majoritária.

