Crônica
Na manhã desta segunda-feira, com as urnas ainda mornas do primeiro turno, uma pergunta rondava os grupos de WhatsApp do campo progressista, sempre feita com aquela mistura de espanto e superioridade que só quem se acha do lado certo da história consegue produzir: “mas será que as pessoas não estão vendo?”. Vendo os escândalos. Vendo as contradições. Vendo quem defende o quê. A pergunta tem uma arrogância embutida que raramente é notada por quem a faz — porque pressupõe que só falta ao outro enxergar, nunca que falte a nós entender.
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