Caso Master

Vorcaro diz que ACM Neto e Rueda cobravam 10% de aportes de previdências ao Banco Master

Em proposta de delação premiada, ex-banqueiro afirma que dirigentes do União Brasil teriam intermediado investimentos de institutos de previdência em troca de comissão que poderia chegar a R$ 200 milhões; ambos negam irregularidades

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O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em uma proposta de delação premiada, que os dirigentes do União Brasil ACM Neto e Antônio Rueda teriam atuado para viabilizar investimentos de institutos de previdência estaduais no Banco Master em troca de uma comissão equivalente a 10% dos valores aplicados [1][2].

As informações foram reveladas nesta quinta-feira (10) pelos jornalistas Cézar Feitoza, Fabio Serapião e Natália Portinari [1]. A proposta de colaboração de Vorcaro ainda não foi aceita pela Polícia Federal nem pela Procuradoria-Geral da República (PGR) [1][2].

ACM NETO E RUEDA na foto. – Foto: Tauan Alencar / União Brasil

O que Vorcaro afirma

Segundo o relato, ACM Neto e Rueda teriam aberto portas para o Master junto a institutos de previdência do Rio de Janeiro, Amapá e Amazonas, além da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) [1][2].

Vorcaro afirma que a atuação dos dois teria permitido ao Master captar aproximadamente R$ 2 bilhões [1][2]. O ex-banqueiro sustenta que havia uma regra segundo a qual o grupo político responsável pela captação teria direito a 10% do investimento ou a 1% por ano durante o período em que o dinheiro permanecesse aplicado no banco [1][2].

Se aplicada aos R$ 2 bilhões mencionados, a comissão de 10% representaria uma obrigação de aproximadamente R$ 200 milhões [1][2]. O documento, porém, não informa quanto desse montante teria sido efetivamente pago a ACM Neto e Rueda [1][2].

Como os pagamentos teriam sido feitos

De acordo com a versão apresentada por Vorcaro, os pagamentos a ACM Neto ocorreriam de diferentes formas [1][2]. Entre elas estariam repasses em dinheiro por meio de empresas ou pessoas ligadas a Augusto Lima, ex-sócio do Master, e Antônio Carlos Freixo Júnior, além de contratos de consultoria que, segundo o ex-banqueiro, seriam usados para justificar os valores [1][2].

A proposta cita contratos entre a A&M Consultoria Ltda., ligada a ACM Neto, e o Banco Master, além de acordos com a Reag e com a B6 Capital [1][2].

No caso de Rueda, Vorcaro afirmou que parte dos valores teria sido repassada em dinheiro por empresas ou pessoas ligadas a Augusto Lima e Freixo [1][2]. Ele também citou contratos entre empresas do conglomerado Master e o escritório Rueda & Rueda Advogados [1][2]. Segundo o ex-banqueiro, esses contratos teriam movimentado cerca de R$ 3 milhões por mês [1][2].

Vorcaro afirmou ainda que os pagamentos eram tão recorrentes que o Banco Master mantinha uma espécie de “conta corrente” para registrar valores que, segundo ele, seriam devidos aos grupos políticos [1][2].

Investimentos de fundos de previdência

A proposta menciona quatro instituições que teriam investido no Banco Master após a atuação atribuída por Vorcaro a ACM Neto e Rueda [1][2]:

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O que já havia sido identificado

A quebra de sigilo do Banco Master já havia identificado contratos de consultoria envolvendo ACM Neto e contratos de advocacia com Rueda [1][2]. Dados do Coaf e quebras de sigilo bancário e fiscal apontaram pagamentos de aproximadamente R$ 6,4 milhões, entre 2022 e 2025, a escritórios ligados a Rueda [1][2]. A empresa de consultoria de ACM Neto teria recebido cerca de R$ 5,4 milhões entre 2023 e 2025 [1][2].

Os valores são inferiores aos montantes que poderiam resultar das comissões descritas por Vorcaro [1][2].

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Delação foi rejeitada

As acusações fazem parte de uma proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro [1][2]. Segundo o UOL, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República rejeitaram as propostas por considerarem que não havia informações inéditas suficientes e por falta de garantias para a devolução de valores relacionados às fraudes investigadas [1][2].

O ex-banqueiro tenta reabrir as negociações para uma colaboração premiada [1][2]. O conteúdo da proposta veio a público em meio às investigações envolvendo o Banco Master e à divulgação, pelo ministro Alexandre de Moraes, do relatório de inteligência da Polícia Federal que mencionava uma suposta demora do ministro André Mendonça para autorizar uma operação contra Rueda [1][2]. Mendonça afirmou que a divulgação do documento prejudicou a investigação que envolvia os políticos [1][2].

Relação com o BRB

Outro episódio citado por Vorcaro envolve o Banco de Brasília (BRB) [1][2]. Segundo o ex-banqueiro, em junho de 2024, Rueda o convidou para uma reunião em Brasília com o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa [1][2]. O encontro teria ocorrido na residência de Rueda [1][2].

Na ocasião, conforme o relato, o BRB precisava de aproximadamente R$ 1 bilhão para um aumento de capital [1][2]. Vorcaro afirmou que Rueda e Paulo Henrique teriam pedido que ele disponibilizasse o dinheiro em dois ou três dias [1][2]. Em contrapartida, o BRB compraria ativos do Banco Master em valor que poderia chegar a dez vezes o montante investido [1][2].

Vorcaro disse que o grupo colocou cerca de R$ 750 milhões no BRB e que, no mesmo período, o banco estatal comprou aproximadamente R$ 6 bilhões em carteiras do Master [1][2]. Ainda de acordo com o relato, Rueda e Paulo Henrique teriam cobrado uma comissão de 10% sobre os valores que o BRB efetivamente pagasse para adquirir ativos do Master [1][2]. ACM Neto também teria participado da divisão dos valores, segundo Vorcaro [1][2].

O que dizem ACM Neto e Antônio Rueda

Procurado, Antônio Rueda afirmou que tem dificuldade para se pronunciar sobre um documento ao qual não teve acesso [1][2]. O presidente do União Brasil também negou qualquer irregularidade relacionada às acusações apresentadas por Vorcaro [1][2].

Já ACM Neto classificou as acusações como “absurdas, completamente fantasiosas e mentirosas” [1][2].

Os dois negam as acusações apresentadas pelo ex-banqueiro na proposta de delação [1][2]. O documento também não demonstra quanto teria sido efetivamente pago aos políticos nem apresenta, de forma detalhada, quais atos concretos eles teriam praticado para cada investimento citado [1][2].

Referências

1] Revista Fórum — Vorcaro diz que ACM Neto e Rueda cobravam 10% de aportes de previdências ao Banco Master.

[2] Último Segundo (iG) — Vorcaro diz que ACM Neto e Rueda cobravam 10% do Master.

Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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