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Uso do FGTS em renegociação de dívidas

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Brasília, 28 de abril de 2026 – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou nesta segunda-feira (27) a inclusão do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) no novo programa de renegociação de dívidas do governo federal, denominado “Desenrola 2.0”. A iniciativa, que visa auxiliar milhões de brasileiros endividados, deve ser anunciada oficialmente ainda esta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tem previsão de entrada em vigor em maio. O programa prevê a utilização de parte do saldo do FGTS para a quitação de débitos, com a expectativa de oferecer descontos significativos, que poderiam alcançar até 90% do valor da dívida.

Detalhes do Programa e Mecanismo de Funcionamento

As medidas do “Desenrola 2.0” foram discutidas em reunião entre o ministro Durigan e representantes das principais instituições financeiras do país, incluindo a Caixa Econômica Federal. Segundo o ministro, houve “consenso técnico em todos os pontos” entre governo e bancos. A contrapartida exigida das instituições financeiras seria a oferta de taxas de juros menores nas renegociações.

O modelo do programa estabelece que os bancos concedam descontos sobre o valor total das dívidas. Após essa redução, o saldo remanescente poderia ser renegociado com juros mais baixos e novos prazos. Para incentivar a adesão dos bancos, o governo pretende utilizar o Fundo Garantidor de Operações (FGO) como mecanismo de proteção parcial contra a inadimplência. Um aporte adicional no FGO estaria previsto para viabilizar a operação em larga escala.

Uso do FGTS: Regras e Limites

Um dos pontos centrais do “Desenrola 2.0” é a possibilidade de utilização do saldo do FGTS para o pagamento de dívidas renegociadas. Durigan esclareceu que haverá um limite de saque para essa finalidade, vinculado ao valor da dívida a ser quitada. O uso dos recursos seria condicionado exclusivamente à quitação de débitos incluídos no programa, com um percentual do saldo disponível a ser definido. O valor liberado não poderia ultrapassar o montante da dívida renegociada.

A medida busca reduzir o endividamento sem estimular novas obrigações financeiras, direcionando recursos já existentes para a regularização da situação do trabalhador. A formalização dessa possibilidade de uso do FGTS ainda dependeria de uma solução jurídica, que poderia ser por meio de medida provisória.

Infográfico de Dívida”Gráfico aponta a evolução do endividamento como parcela da renda disponível, com pico de 49,9% registrado em fevereiro de 2026.

Público-Alvo e Abrangência

O “Desenrola 2.0” deve concentrar esforços nas modalidades de crédito consideradas mais onerosas para as famílias, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia, que apresentam taxas de juros elevadas. As dívidas elegíveis para o programa estariam na faixa de três meses a dois anos, com a possibilidade de descontos maiores para débitos mais antigos.

As regras finais de elegibilidade ainda não foram divulgadas, mas entre as possibilidades em estudo estaria a limitação do programa a pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos. O governo projeta atingir dezenas de milhões de brasileiros nesta nova fase, buscando reduzir o nível de endividamento das famílias, que atingiu 49,9% em fevereiro de 2026, o maior percentual desde o início da série histórica do Banco Central do Brasil em 2005.

Endividamento das famílias brasileiras atingiu patamares recordes em 2026, impulsionando a criação de novas medidas de alívio financeiro.

Medidas Complementares

O ministro Durigan ressaltou que o “Desenrola 2.0” será uma medida pontual e temporária, com prazo limitado para adesão, e não periódica. A iniciativa responde a um contexto de elevado endividamento e condições macroeconômicas que, embora com juros ainda em patamar elevado, apresentam perspectiva de queda.

Além da renegociação de dívidas, o governo avalia ações para evitar o agravamento da inadimplência, incluindo propostas de restrição ao acesso de pessoas endividadas a plataformas de apostas online e mercados de predição. Essa medida buscaria mitigar riscos adicionais ao orçamento familiar em um cenário de vulnerabilidade financeira.

Perspectivas

Com o anúncio oficial e a implementação previstos para os próximos dias e o mês de maio, respectivamente, o “Desenrola 2.0” se apresenta como uma ferramenta governamental para enfrentar o cenário de endividamento no país. A expectativa é que o programa proporcione condições mais acessíveis para a regularização financeira de milhões de brasileiros, com o uso do FGTS como um dos pilares para a quitação de débitos.

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