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Áudio obtido pelo ICL Notícias registra o prefeito de São Paulo pedindo a cerca de 300 servidores que compareçam ao evento e divulguem nas redes; especialista aponta possível conduta vedada e pede apuração do Ministério Público.
A convocação e o áudio
A reunião aconteceu num casarão na Avenida Brasil, nos Jardins, local que funcionou como comitê político da candidatura à reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo paulista. Estavam presentes dirigentes de autarquias e responsáveis por áreas estratégicas de secretarias municipais, como Educação, Saúde e Habitação.
No encontro, Nunes foi direto: “Se puder estar todo mundo lá. Se puderem postar nas redes sociais convidando as pessoas a estarem lá amanhã, criar a lista de transmissão no WhatsApp, ir para a rua nesses últimos dias para falar com todo o mundo”.
O prefeito também atacou o presidente Lula (PT) e defendeu Flávio Bolsonaro: “São Paulo é igual ao que está escrito em nossa bandeira: nós não somos conduzidos, nós conduzimos. Nós vamos dar o exemplo e fazer com que o Flávio possa ter uma boa vitória” . Ao encerrar, anunciou que estaria na Paulista ao lado de Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL) .
As implicações legais
Para Fernando Neisser, professor de Direito Eleitoral da Fundação Getúlio Vargas (FGV) , a denúncia já é suficiente para que o Ministério Público instaure um procedimento preparatório eleitoral. O ponto central a ser apurado é se houve constrangimento sobre os servidores comissionados para que participassem do evento, o que caracterizaria conduta vedada pela legislação eleitoral.
“Haveria uma conduta vedada, que levaria a uma multa. E pode, a depender de uma análise de gravidade, até levar à cassação de candidatura do candidato beneficiado” , afirmou Neisser, ressalvando que o caso pode ser considerado localizado dependendo do alcance da apuração.
Servidores comissionados ocupam cargos de confiança sem a exigência de concurso público, o que os torna particularmente expostos a pressões de seus superiores hierárquicos. A legislação eleitoral proíbe que agentes públicos usem essa relação de dependência para fins de campanha.
O que diz a Prefeitura
A assessoria de comunicação da Prefeitura de São Paulo não retornou ao contato da imprensa até o momento da publicação da reportagem.
Referências
[1] ICL Notícias — Ricardo Nunes, prefeito de SP, convoca comissionados para ato de Flávio Bolsonaro na Paulista. Disponível em: https://iclnoticias.com.br/ricardo-nunes-convoca-comissionados-ato-flavio-bolsonaro-paulista/
[2] Lei nº 9.504/1997 — Lei das Eleições, art. 73 (condutas vedadas a agentes públicos). Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9504.htm
[3] Tribunal Superior Eleitoral — Resolução nº 23.610/2019 (propaganda eleitoral e condutas vedadas). Disponível em: https://www.tse.jus.br/legislacao-tse/res/2019/RES236102019.html
Nota editorial
As informações relatadas nesta matéria refletem reportagem do ICL Notícias, publicada em 18 de outubro de 2026, com base em áudio obtido pela publicação e em relatos de servidores. A convocação de comissionados para ato de campanha é um fato documentado pelo áudio, mas a caracterização de conduta vedada depende de apuração do Ministério Público Eleitoral. A Prefeitura de São Paulo não se manifestou até a publicação. O espaço para manifestação do prefeito Ricardo Nunes e de todos os envolvidos permanece aberto.

