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Polícia Federal investigue a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma disputa pela posse de uma propriedade de luxo em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro. O jogador fez a acusação em um vídeo publicado nas redes sociais em 17 de outubro de 2026. [1] [2]Richarlison afirma que investiu cerca de R$ 10 milhões no imóvel e que perdeu a posse após decisões judiciais. Ele acusa Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz de terem obtido a posse em um curto período, depois que o jogador recusou uma proposta de compra.A acusação não equivale a uma conclusão de crime. Flávio nega ter comprado, vendido, intermediado ou possuir vínculo com o imóvel. Tomaz afirma que a empresa ligada a Richarlison perdeu as disputas judiciais e desafia o atleta a apresentar documentos que comprovem a compra e o investimento alegado.
O que Richarlison afirma?
No vídeo, Richarlison diz que comprou direitos sobre a propriedade entre 2020 e 2021, em parceria com Alencar da Silveira Júnior, então presidente do América-MG, e Renato Velasco. Segundo o jogador, ele recebeu propostas para vender o imóvel, inclusive de Flávio Bolsonaro, mas não aceitou negociar.
“Como eu não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça”, afirmou Richarlison no vídeo reproduzido pelas reportagens.
O atleta afirma que a disputa documental poderia levar meses ou anos e que, em 24 horas, Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz teriam conseguido a posse. Richarlison diz ainda que não recebeu ressarcimento pelos cerca de R$ 10 milhões investidos no local.O jogador declarou que pretende doar parte do valor caso consiga recuperar o dinheiro. A quantia seria destinada a um hospital de Nova Venécia, no Espírito Santo, sua cidade natal.
Qual é a versão de Flávio Bolsonaro?
Qual é a versão de Flávio Bolsonaro?
Em nota enviada ao Estadão, Flávio Bolsonaro afirmou que não comprou, vendeu ou intermediou a negociação e que não possui vínculo com o imóvel. A assessoria do senador também declarou que a disputa judicial foi encerrada e que eventuais manifestações caberiam aos envolvidos no processo. [2]
Em manifestações anteriores, segundo a Folha, Flávio havia dito que mantinha apenas uma relação de amizade com Willer Tomaz. A equipe do senador foi procurada pela Folha e pelo ICL Notícias, mas não respondeu às solicitações específicas sobre a nova acusação. [1] [4]
A ausência de resposta a uma reportagem não comprova responsabilidade nem invalida a negativa apresentada em outra manifestação pública.
O que diz Willer Tomaz?
Tomaz, advogado ligado ao senador, contestou a narrativa de Richarlison. Em nota reproduzida pelo Estadão e por O Globo, ele afirmou que Richarlison nunca foi parte direta no processo e desafiou o jogador a apresentar, em 72 horas, um documento anterior a julho de 2022 que vinculasse o atleta ao imóvel.
Entre os documentos citados pelo advogado estão escritura pública, contrato de compra e venda registrado, inscrição na Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e comprovante do pagamento de R$ 10 milhões. Tomaz afirmou que transferiria os direitos sobre o imóvel sem cobrança caso os documentos fossem apresentados e considerados válidos. [2] [3]
O advogado também declarou que a empresa ligada a Richarlison teria perdido as ações em todas as instâncias, renunciado ao processo em 2025 e informado nos autos ter pago R$ 2,6 milhões a terceiros. Tomaz disse ainda que um inquérito policial sobre o negócio foi arquivado por falta de indícios de crime. Essas afirmações foram apresentadas pela defesa do empresário e não foram confirmadas, nesta apuração, por documento oficial acessível.
Como começou a disputa?
A disputa começou após uma empresa ligada a Richarlison adquirir direitos de ocupação do imóvel em 2020. O Estadão informa que a Sport 70 Intermediação de Negócios Ltda., empresa de Renato Velasco, comprou a propriedade naquele ano. [2]
Em 2022, a empresa M. Locadora de Veículos e Transportes Turísticos Ltda. obteve uma decisão de reintegração de posse. A empresa alegava ter direitos históricos sobre a área desde a década de 1980. Posteriormente, a posse passou para a WT Administração de Imóveis e Bens S/A, ligada a Willer Tomaz, conforme as reportagens consultadas.
A Folha informou que a M. Locadora foi representada por advogado associado a Tomaz e que o processo envolveu alegações sobre direitos antigos relativos à área. Já o Estadão relatou que Tomaz afirmou ter se tornado credor da empresa por meio de um contrato de sub-rogação. [2] [4]
O que decidiram os tribunais?
Segundo o Estadão, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro reconheceu o direito de posse de Tomaz e o Superior Tribunal de Justiça confirmou esse entendimento em junho de 2025. O jornal informou ainda que Flávio Bolsonaro foi arrolado como testemunha pela Sport 70, não como parte do processo. [2]
A Folha informou que uma sentença de outubro de 2025 extinguiu o processo sem julgamento do mérito, após renúncia de uma das partes, e que o processo foi arquivado em janeiro de 2026 depois do trânsito em julgado. [4]
As descrições tratam de processos e decisões diferentes relacionados à disputa. Como os autos completos não estavam disponíveis nas fontes abertas consultadas, não é possível afirmar que uma única decisão encerrou todas as questões patrimoniais, criminais e indenizatórias ligadas ao caso.
O jogador apresentou uma notícia-crime?
As reportagens informam que Richarlison pediu publicamente uma investigação da Polícia Federal. Não foi localizado, até o fechamento desta matéria, um protocolo oficial da PF ou uma notícia-crime completa que permita confirmar a abertura de investigação a partir do vídeo.
O Estadão informou que procurou a Polícia Federal e ainda não havia recebido resposta. Portanto, o pedido público do atleta deve ser diferenciado da instauração formal de um inquérito. [2]
Quais são os próximos passos?
A Polícia Federal poderá informar se recebeu representação, notícia-crime ou outro pedido formal relacionado às acusações. Também poderá esclarecer se existe investigação em andamento. Até o momento, não há confirmação pública nas fontes consultadas de que a PF tenha aberto inquérito sobre a disputa.
Na esfera judicial, as partes ainda podem ter discussões cíveis ou ações relacionadas às declarações públicas. O Globo informou que Tomaz citou uma ação por danos morais em Brasília contra Richarlison. Essa alegação não foi acompanhada, nas fontes consultadas, do número do processo ou de decisão judicial. [3]
O que se sabe até agora
• Richarlison pediu publicamente que a PF investigue a disputa pela posse de um imóvel em Angra dos Reis.
• O jogador afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões e não ter recebido ressarcimento.
• Flávio Bolsonaro nega ter comprado, vendido, intermediado ou possuir vínculo com o imóvel.
• Decisões judiciais citadas por reportagens favoreceram uma empresa ligada a Willer Tomaz.
• Tomaz contesta a versão de Richarlison e afirma que um inquérito foi arquivado.
• Não foi confirmada a abertura de investigação da PF a partir do pedido público do jogador.
Referências
1 Richarlison pede que PF investigue Flávio Bolsonaro por posse de imóvel de luxo, ICL Notícias, 18 out. 2026.
2 Richarlison acusa Flávio Bolsonaro de tomar ilha em Angra e pede investigação da PF; senador nega, Estadão, 17 out. 2026.
3 Richarlison acusa Flávio Bolsonaro de tomar posse de ilha em Angra e pede investigação da PF; Willer Tomaz desafia o jogador, O Globo, 17 out. 2026.
4 Richarlison pede que PF investigue Flávio Bolsonaro por posse de imóvel de luxo, Folha de S.Paulo, 17 out. 2026.
Nota editorial
Foi confirmado que Richarlison publicou um vídeo pedindo investigação da Polícia Federal sobre a disputa por um imóvel em Angra dos Reis. Também foram confirmadas as negativas de Flávio Bolsonaro e as contestações apresentadas por Willer Tomaz em reportagens independentes.
O investimento de cerca de R$ 10 milhões foi atribuído ao relato de Richarlison. O valor não foi confirmado por documento primário localizado nesta apuração. As acusações de “manobras judiciais” e de tomada irregular da posse foram tratadas como alegações do jogador, não como fatos comprovados.
As reportagens citam decisões do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e do Superior Tribunal de Justiça favoráveis a empresa ligada a Tomaz, além de arquivamento de processo cível e alegação de arquivamento de inquérito policial. Não foi possível consultar os autos completos nem confirmar diretamente, em fonte oficial aberta, todos os detalhes processuais e o alegado arquivamento do inquérito.
A Polícia Federal não confirmou a abertura de investigação nas fontes consultadas. A matéria não conclui que Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz ou qualquer outra pessoa tenha cometido crime, nem que Richarlison tenha direito definitivo ao imóvel ou ao ressarcimento.

