A imagem clássica da Justiça traz uma figura de olhos vendados, balança em uma das mãos e uma espada na outra. No Brasil contemporâneo, no entanto, analistas e críticos têm sugerido que uma nova peça foi adicionada ao vestuário dos tribunais: o escudo. A expressão “quando a toga vira escudo” reflete um incômodo crescente no debate público sobre onde termina a autoridade legítima de um magistrado e onde começa o uso do cargo para blindagem pessoal e política.
A toga, vestimenta preta e solene usada por juízes e ministros, nasceu para simbolizar a neutralidade, o distanciamento das paixões mundanas e o respeito absoluto ao rito da lei. Ela deveria funcionar como uma garantia para o cidadão de que, ali dentro, todos são iguais. Mas o fenômeno do ativismo judicial e a hipertrofia do Poder Judiciário nos últimos anos transformaram essa dinâmica.
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