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Brasilia 24 de agosto de 2026.
A senadora Damares Alves usou esse exemplo no plenário do Senado para denunciar o desabastecimento de medicamentos essenciais e a burocracia na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS).
Ela se referia ao comprimido de pirimetamina, um medicamento básico e de baixíssimo custo de produção — cujo valor por comprimido em compras governamentais chegava a cerca de R$ 0,36 , utilizado no tratamento da toxoplasmose e no auxílio ao combate de outras infecções graves em pacientes imunodeprimidos.
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Os principais pontos abordados em sua fala foram
Falta de interesse comercial: Por ser um remédio antigo, genérico e extremamente barato, laboratórios privados deixam de fabricá-lo devido ao baixo lucro, gerando apagões de estoque na rede pública.
Impacto na vida do paciente: Embora a dose custe centavos ao Estado, a falta do comprimido nos postos de saúde obriga pacientes de baixa renda a interromper o tratamento ou recorrer a alternativas mais caras e difíceis de encontrar.
Critica à gestão pública: A senadora usou o contraste entre o valor irrisório (R$ 0,36) e o dano à saúde do paciente para criticar a falta de planejamento logístico e o excesso de burocracia do Ministério da Saúde para manter a produção e distribuição continuada por laboratórios oficiais.
Para que serve o medicamento e qual o risco do desabastecimento?
A pirimetamina é o tratamento padrão-ouro para a toxoplasmose (infecção causada pelo protozoário Toxoplasma gondii). O medicamento é fundamental em dois grupos prioritários:
Gestantes: A infecção durante a gravidez pode ser transmitida ao feto (toxoplasmose congênita), causando cegueira, microcefalia, danos neurológicos graves ou aborto. O tratamento precoce reduz vertiginosamente esses riscos.
Pacientes imunodeprimidos: Pessoas vivendo com HIV/Aids ou em tratamento quimioterápico podem desenvolver neurotoxoplasmose (infecção no cérebro) se não receberem o tratamento imediato.
Por que um remédio de R$ 0,36 entra em falta?
O valor de cerca de R$ 0,36 por comprimido em compras de grande escala do governo reflete o paradoxo do “dilema dos medicamentos antigos e baratos”
Desinteresse dos laboratórios privados: Por ter patente expirada há décadas e margem de lucro mínima, a indústria farmacêutica privada deixa de fabricar o produto por falta de atratividade econômica.
Escassez de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA): A matéria-prima química para produzir o comprimido vem quase inteiramente de fornecedores na Índia e na China. Flutuações na oferta global paralisa a produção.
Burocracia nas licitações do Ministério da Saúde: O Ministério da Saúde centraliza a compra e distribuição de medicamentos estratégicos para os estados e municípios. Quando um pregão eletrônico ou licitação “dá deserto” (nenhuma empresa se candidata a vender pelo preço estipulado), a burocracia para refazer o processo gera meses de apagão nos estoques das farmácias do SUS.

