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As prisões e os mandados
A operação cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 16 mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo [1][2][9].
Canella foi preso no condomínio onde mora na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Ele saiu de casa vestindo uma camiseta branca e protegido por um guarda-chuva, e foi levado para a sede da Superintendência da PF, na Praça Mauá [9]. Marcus Amim foi preso no bairro de Icaraí, em Niterói, onde mora [9].
Além dos dois, foram presos quatro inspetores da Polícia Civil:
· Giovanni Gaspar Fernandes;
· Christiano Gaspar Fernandes;
· José Carlos Alves de Souza Júnior;
· Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo [1][13].
Pablo Russo é apontado pela PF como suspeito de atuar como laranja no esquema de postos de combustíveis. A CNN Brasil apurou que ele teria integrado equipes comandadas por Marcus Amim em diversas delegacias e seria o verdadeiro controlador, por meio de supostos laranjas, de uma rede de postos com empresas ativas e inativas, utilizada para ocultar e lavar recursos ilícitos [13].
A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou o cumprimento dos mandados contra os policiais investigados [1][9].
O esquema bilionário
Segundo a PF, a operação tem como objetivo desarticular uma organização criminosa armada que utilizava uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio como plataforma de lavagem de dinheiro. A corporação afirmou que “o grupo investigado conta com a participação de agentes públicos e articulação político-institucional” [5][14].
De acordo com Relatório de Inteligência Financeira do Coaf enviado à PF, o esquema movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos [1][2][9].
A Justiça determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede investigada. Desse total, 96 são postos de combustíveis que, segundo a PF, eram utilizados para camuflar e legalizar recursos de origem criminosa [1][2][9].
Os investigados poderão responder, conforme suas responsabilidades, pelos crimes de organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel [1][2][9].
Quem é Márcio Canella

Divulgação/Prefeitura de Belford Roxo
Márcio Correia de Oliveira, o Márcio Canella, construiu sua trajetória política em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Foi vereador e deputado estadual antes de assumir a prefeitura do município após a eleição de 2024 [4][15].
Em 2026, deixou o Executivo municipal e chegou a se apresentar como pré-candidato ao Senado, com apoio declarado de Flávio Bolsonaro (PL). Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, era cotada para ocupar a primeira suplência da chapa [19].
Em abril, Flávio Bolsonaro gravou vídeo declarando “apoio integral, 100%” a Canella como pré-candidato ao Senado [19].
A candidatura, porém, desmoronou após a primeira prisão de Canella, em julho, quando a PF encontrou um fuzil calibre 5,56 em seu veículo durante a 6ª fase da mesma operação. Ele foi preso em flagrante, mas Alexandre de Moraes revogou a prisão após a PM informar que a arma pertencia a um integrante da escolta [9][19].
Em 3 de agosto, Canella desistiu da corrida ao Senado e anunciou que disputaria novamente uma cadeira na Alerj [19]. Foi eleito com 197.178 votos, tornando-se o segundo deputado estadual mais votado do Rio [8][9].
Quem é Marcus Amim

Marcus Vinícius Amim Fernandes é delegado da Polícia Civil há mais de dez anos e comandou a Secretaria de Polícia Civil do Rio entre outubro de 2023 e setembro de 2024. Antes disso, presidiu o Detran-RJ [6].
Sua indicação para chefiar a Polícia Civil foi marcada por articulação política entre o então governador Cláudio Castro e o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar. Para que assumisse o cargo, a Alerj aprovou às pressas um projeto que alterou a Lei Orgânica da Polícia Civil [6].
Na época, o Sindicato dos Delegados de Polícia divulgou nota criticando “interferências políticas” na escolha do chefe da corporação [6].
Amim foi exonerado em setembro de 2024, sendo substituído pelo delegado Felipe Curi [6].
O histórico da Operação Unha e Carne
A Operação Unha e Carne é uma investigação da PF que apura esquemas de corrupção, lavagem de dinheiro e vazamento de informações sigilosas sobre ações policiais no Rio de Janeiro [9].
A 8ª fase integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela PF para desarticular organizações criminosas no estado, em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo STF na ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas [9][17].
A operação já prendeu, em fases anteriores, o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, o pastor Márcio Poncio e o bicheiro Adilsinho [17].
O que dizem os envolvidos
A defesa de Márcio Canella informou que não se pronunciaria neste momento, pois ainda não havia tido acesso à decisão judicial que determinou a prisão [8][15].
A Polícia Civil informou, em nota, que participou da operação em apoio à PF e que “não compactua com qualquer desvio de conduta e adota, de forma rigorosa, as medidas administrativas e disciplinares cabíveis diante de indícios de irregularidades” [17].
Marcus Amim e os demais presos não se manifestaram até a publicação. O espaço permanece aberto.
Referências
[1] Agência Brasil — Segundo deputado estadual mais votado deste ano é preso pela PF. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/fr/node/1705422
[2] Agência Brasil — PF faz nova ação contra suspeitos de lavagem de dinheiro em postos. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-10/pf-faz-nova-acao-contra-suspeitos-de-lavagem-de-dinheiro-em-postos
[3] Diário do Rio — Rio de Janeiro chega a oito ex-chefes da segurança pública presos em 20 anos após prisão de Marcus Amim. Disponível em: https://diariodorio.com/politica/2026/10/15/rio-de-janeiro-chega-a-oito-ex-chefes-da-seguranca-publica-presos-em-20-anos-apos-prisao-de-marcus-amim.html
[4] O Globo — Quem é Márcio Canella, segundo deputado estadual mais votado do Rio, preso em operação da PF. Disponível em: https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2026/10/15/quem-e-marcio-canella-deputado-estadual-eleito-preso-em-operacao-da-pf.ghtml
[5] O POVO — Segundo deputado mais votado do RJ é preso em operação da PF. Disponível em: https://www.opovo.com.br/noticias/politica/eleicoes/2026/10/15/segundo-deputado-mais-votado-do-rj-e-preso-em-operacao-da-pf.html
[6] Folha PE — Quem é Marcus Amim: delegado que comandou a Polícia Civil e que foi preso pela PF. Disponível em: https://www.folhape.com.br/noticias/quem-e-marcus-amim-delegado-que-comandou-a-policia-civil-e-que-foi/518527/
[7] Agência Brasil — PF faz operação contra lavagem de dinheiro no Rio. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/es/node/1696050
[8] O Hoje — Saiba quem é Márcio Canella, segundo deputado mais votado do Rio preso em operação contra lavagem de dinheiro. Disponível em: https://ohoje.com/2026/10/15/saiba-quem-e-marcio-canella-segundo-deputado-mais-votado-do-rio-preso-em-operacao-contra-lavagem-de-dinheiro/
[9] O Globo — Ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella e ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim são presos pela PF. Disponível em: https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2026/10/15/ex-prefeito-de-belford-roxo-marcio-canella-ex-secretario-de-policia-civil-sao-presos-pela-pf-marcus-amin.ghtml
[10] O TEMPO — PF prende deputado eleito e ex-chefe da Polícia Civil do RJ. Disponível em: https://www.otempo.com.br/brasil/2026/10/15/pf-prende-deputado-eleito-e-ex-chefe-da-policia-civil-do-rj
[11] CBN — Preso nesta quinta (15), deputado eleito Márcio Canella já havia sido preso em julho. Disponível em: https://cbn.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2026/10/15/preso-nesta-quinta-15-deputado-eleito-marcio-canella-ja-havia-sido-preso-em-julho.ghtml
[12] Extra online — Márcio Canella e Marcus Amin são presos pela PF em novo desdobramento da Operação Unha e Carne. Disponível em: https://extra.globo.com/rio/casos-de-policia/noticia/2026/10/marcio-canella-e-marcus-amin-sao-presos-pela-pf-em-novo-desdobramento-da-operacao-unha-e-carne.ghtml
[13] CNN Brasil — PF prende Márcio Canella, segundo deputado estadual mais votado do RJ. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/rj/pf-prende-marcio-canella-segundo-deputado-estadual-mais-votado-do-rj/
[14] Revista Fórum — Márcio Canella, aliado de Flávio Bolsonaro e um dos deputados mais votados do RJ, é preso pela PF. Disponível em: https://revistaforum.com.br/politica/marcio-canella-aliado-flavio-preso-pf/
[15] Diário do Rio — Márcio Canella, preso pela PF, foi o segundo deputado estadual mais votado do RJ em 2026. Disponível em: https://diariodorio.com/politica/2026/10/15/marcio-canella-preso-pela-pf-foi-o-segundo-deputado-estadual-mais-votado-do-rj-em-2026.html
[16] Correio do Povo — PF prende deputado eleito e ex-secretário de Polícia Civil do RJ em operação contra lavagem de dinheiro. Disponível em: https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/pol%C3%ADcia/pf-prende-deputado-eleito-e-ex-secretario-de-policia-civil-do-rj-em-operacao-contra-lavagem-de-dinheiro-1.1756240
[17] Poder360 — PF prende Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo. Disponível em: https://www.poder360.com.br/poder-seguranca-publica/pf-prende-marcio-canella-ex-prefeito-de-belford-roxo/
[18] O Dia — Márcio Canella, eleito deputado estadual como segundo mais votado, é preso. Disponível em: https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2026/10/7312464-marcio-canella-eleito-deputado-estadual-como-segundo-mais-votado-e-preso.html
[19] Revista Fórum — “Apoio 100%”, disse Flávio Bolsonaro sobre Márcio Canella, preso pela PF por lavagem de dinheiro. Disponível em: https://revistaforum.com.br/politica/apoio-flavio-bolsonaro-marcio-canella-preso-pf/
Nota editorial:
As informações relatadas nesta matéria refletem reportagens da Agência Brasil, O Globo, O POVO, Folha PE, O Hoje, O TEMPO, CBN, Extra, CNN Brasil, Revista Fórum, Diário do Rio, Correio do Povo, Poder360 e O Dia, publicadas em 15 de outubro de 2026. As prisões são preventivas e não constituem condenação. Os investigados são considerados inocentes até o trânsito em julgado de eventual condenação. A defesa de Márcio Canella informou que não se pronunciaria até ter acesso aos autos. Marcus Amim e os demais presos não se manifestaram até a publicação. O relatório do Coaf aponta movimentações financeiras, mas não comprova, por si só, a prática de lavagem de dinheiro. As investigações continuam em curso. O espaço para manifestação de todos os envolvidos permanece aberto.

