Brasil

Flávio Bolsonaro vota a favor do fim da escala 6×1, enquanto aliados articulam alternativas para flexibilizar a jornada

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O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) votou remotamente a favor da PEC que reduz a jornada semanal de trabalho, aprovada pelo Senado em dois turnos na quarta-feira (14). Embora não tenha participado das sessões de discussão, o parlamentar apoiou a proposta na votação. Paralelamente, aliados do candidato defendem alternativas de flexibilização da jornada para um eventual governo a partir de 2027.

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O voto e a ausência nas discussões

A PEC do fim da escala 6×1 foi aprovada em dois turnos por 75 votos a favor e um contra — o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único a votar contrário. Para que uma PEC seja aprovada no Senado, são necessários pelo menos 49 votos favoráveis, o equivalente a três quintos dos 81 integrantes da Casa.

Apesar de ter votado a favor, a participação de Flávio na discussão foi nula. Ele não registrou presença em nenhuma das cinco sessões de debate — que eram semipresenciais, permitindo a participação à distância — e só marcou presença no momento da votação, já na noite de quarta-feira.

O que a PEC estabelece

A proposta aprovada reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e estabelece dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial. Trata-se da primeira redução de jornada desde a Constituição de 1988.

A contradição do candidato

Até a semana passada, Flávio se posicionava contra o fim da escala 6×1 nos moldes propostos pelo Congresso. Em 6 de outubro, ele classificou a iniciativa como “oportunista” :

“Lula, em quatro anos de governo, não faz. Agora, no meio do segundo turno, ele vem de uma forma oportunista querer fazer um movimento achando que isso vai dar voto para ele” , afirmou.

Na terça-feira (13) , após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio anunciou que votaria a favor:

“Vou votar a favor do fim da 6×1, mas a gente defende algo ainda melhor, sempre”.

A mudança de posição ocorreu em meio à disputa eleitoral e à popularidade do fim da escala 6×1. Reportagens publicadas pela imprensa apontaram que integrantes da campanha buscavam evitar desgaste eleitoral com o tema, enquanto aliados defendiam alternativas de flexibilização da jornada. Essa interpretação deve ser atribuída às reportagens e aos interlocutores ouvidos, não apresentada como uma motivação pessoal comprovada do senador.

A articulação para rever a medida

Apesar do voto favorável, integrantes da campanha de Flávio já articulam formas de alterar as regras da jornada de trabalho caso ele chegue à Presidência em 2027 . O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ) , confirmou que a legenda vai insistir na PEC que autoriza o pagamento por horas trabalhadas .

“Nós queremos as horas como alternativa ao trabalhador. O que o trabalhador quiser escolher. Quer trabalhar por horas? Você tem a opção de trabalhar por horas. Não, quero trabalhar CLT. [A negociação seria] empregador e empregado, como é no MEI”, defendeu o deputado.

Duas propostas são consideradas alternativas:

Propostas e Autores do Conteúdo

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PEC 12/2026 Senador Rogério Marinho (PL-RN) Permite contratos com jornadas e pagamentos proporcionais.


PEC 40/2025 Deputado Mauricio Marcon (PL-RS) Modelos mais flexíveis de jornada e pagamento por horas.

A expectativa dos aliados é utilizar a composição do Congresso que assumirá em 2027 para tentar aprovar uma dessas alternativas. A Daniela Marques, responsável pelo programa econômico do candidato, já havia criticado o fim da escala 6×1, classificando o debate como “populista e inócuo” .

As críticas de adversários

A deputada Erika Hilton (PSOL-SP), uma das porta-vozes da PEC, criticou a postura de Flávio:

“A campanha do Flávio Bolsonaro subiu nas tamancas e acredita que já está eleito. E eles acreditam que, sendo eleito, eles poderão, com a maioria que conseguiram construir tanto na Câmara quanto no Senado, revogar qualquer decisão que seja aprovada agora” .

O que muda na prática

A PEC segue para promulgação e passa a valer como norma constitucional. Qualquer tentativa de alteração posterior dependerá de nova PEC, que exige 3/5 dos votos na Câmara e no Senado, em dois turnos. A aprovação de uma PEC alternativa não revoga automaticamente a redução da jornada — seria necessário um novo processo legislativo.

Referências

[1] ICL Notícias — Pressionado pela eleição, Flávio Bolsonaro votou contra 6×1, mas promete rever a medida, se eleito. Disponível em: https://iclnoticias.com.br/pressionado-flavio-bolsonaro-votou-contra-6×1/

[2] G1 — Ausente nas discussões, Flávio Bolsonaro cede a pressão e vota a favor da PEC do fim do 6×1. Disponível em: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/10/14/ausente-nas-discussoes-flavio-bolsonaro-cede-a-pressao-e-vota-a-favor-da-pec-do-fim-do-6×1.ghtml

[3] Veja — O voto de Flávio Bolsonaro sobre o fim da escala 6×1 no Senado. Disponível em: https://veja.abril.com.br/politica/o-voto-de-flavio-bolsonaro-sobre-o-fim-da-escala-6×1-no-senado/

Nota editorial

As informações relatadas nesta matéria refletem reportagens do ICL Notícias, G1 e Veja, publicadas em 14 e 15 de outubro de 2026, com base na votação no Senado Federal. A PEC aprovada segue para promulgação e passa a valer como norma constitucional. As declarações de Flávio Bolsonaro e de aliados sobre a intenção de rever a medida são posições políticas e dependem de nova tramitação legislativa para serem implementadas. A aprovação de uma PEC alternativa não revoga automaticamente a redução da jornada. O espaço para manifestação de todos os envolvidos permanece aberto.

Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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