A Polícia Federal (PF) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um terceiro inquérito contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O filho mais velho do presidente da República é investigado por um suposto esquema de tráfico de influência. O foco central das autoridades está nos negócios da empresa de tecnologia 3Structure It Ltda., que soma R$ 55,7 milhões em contratos vigentes com órgãos da administração pública federal. Relatórios de inteligência apontam que a soma histórica de todos os acordos da firma com a União atinge a marca de R$ 85,7 milhões.
A escalada nas investigações gerou forte reação nos bastidores do Poder Executivo e do Judiciário, colocando sob holofotes o ministro do STF André Mendonça, que conduz as apurações relacionadas ao caso.
A Teia dos Contratos Milionários:
Ministério do Desenvolvimento Social (MDS): Garantiu o maior contrato, superando os R$ 42 milhões para a modernização de ambientes analíticos. Há ainda um segundo acordo vigente com o ministério voltado para a segurança e sustentação de banco de dados.
Exército Brasileiro: Um contrato assinado com o Centro Integrado de Telemática do Exército soma mais de R$ 21,8 milhões com a finalidade de expandir o sistema de armazenamento de backup militar (Sistex).
Outros Órgãos: Registram-se vínculos com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), este último com validade estendida até abril de 2029.
Viagens Bancadas e Repasses Suspeitos:
O relatório sigiloso elaborado pela Polícia Federal indica que o empresário Cleber Ribas de Oliveira, CEO da 3Structure It, mantinha uma proximidade com Lulinha que extrapolava as relações institucionais. Rastreadores de bilhetes aéreos detectaram que o empresário teria bancado despesas de deslocamento do filho do presidente, evidenciadas em uma viagem conjunta realizada para Foz do Iguaçu sob o mesmo código localizador.
Além disso, as quebras de sigilo expuseram um repasse de R$ 150 mil feito pela empresa de tecnologia à RL Consultoria, pertencente à empresária Roberta Luchsinger, conhecida por ser amiga íntima de Lulinha. Para os investigadores da PF, esses pagamentos sugerem um mecanismo de intermediação e distribuição de vantagens financeiras obtidas por meio do lobby no governo federal.
Três Frentes de Investigação no STF:
Este pedido configura a terceira linha de investigação formal aberta contra Lulinha em um curto espaço de tempo. As frentes coordenadas pela PF apuram:
1. O caso Cannabis: Suspeita de lobby junto ao Ministério da Justiça para obter facilidades na liberação de licenças para comercialização de cannabis medicinal.
2. O caso Dataprev: Tentativa de influenciar a estatal federal de tecnologia para a prospecção e fechamento de contratos em benefício de empresários parceiros.
3. O caso 3Structure It: O inquérito atual focado nos R$ 55 milhões em contratos de proteção de dados vigentes com a União.
O Outro Lado:
Defesa de Lulinha
Em nota, os advogados classificarão a investida da PF como uma “fishing expedition” (pesca probatória sem alvo definido). O coordenador jurídico Marco Aurélio Carvalho afirmou tratar-se de “pirotecnia e malabarismo eleitoral” promovidos por setores específicos com o intuito de causar desgaste político.
Defesa da 3Structure It
:O corpo jurídico que representa o empresário Cleber Ribas declarou que todos os contratos com a administração federal foram firmados de forma “absolutamente transparente”. A empresa sustenta que as contratações decorreram unicamente de licitações regulares e de sua capacidade técnica, tendo passado sem ressalvas por auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU).

