Relações Internacionais

Paraguai convoca embaixador brasileiro após fala de Lula

O governo do Paraguai convocou, nesta quinta-feira (30), o embaixador do Brasil em Assunção, José Antônio Marcondes, para uma reunião marcada para esta sexta-feira (31), em resposta a declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra do Paraguai. O presidente Paraguaio Santiago Peña à esquerda, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (à direita. 07/12/2024 - Buda Mendes/Getty Images

Assunção/Brasília — 30 de julho de 2026

Chanceler anuncia convocação e entrega de nota oficial


O anúncio foi feito pelo ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, em coletiva de imprensa. Segundo o governo paraguaio, o embaixador brasileiro receberá uma nota diplomática oficial durante o encontro.

A reunião de sexta-feira ocorrerá com o vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana. Antes da convocação, Lezcano já havia tratado do assunto pessoalmente com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, em um encontro em Lima, no Peru.

Lula e Peña conversaram por telefone
O governo paraguaio informou que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Santiago Peña conversaram por telefone sobre o episódio, classificado por Assunção como delicado. Peña governa o Paraguai, país vizinho do Brasil e integrante do Mercosul.

Discurso de Lula ocorreu em evento de defesa em Jacareí

A declaração que motivou a crise foi feita por Lula em 24 de julho, durante um evento da empresa Avibras Aeroco em Jacareí, no interior de São Paulo. Ao defender o aumento de investimentos nas Forças Armadas, o presidente disse que o Brasil faz fronteira com quase todos os países da América do Sul e citou o risco de conflitos internacionais.

Na ocasião, Lula afirmou que o Paraguai invadiu o Brasil, o Uruguai e a Argentina no século 19, dando início a um conflito que, segundo ele, durou cinco anos.

Parlamento paraguaio já havia aprovado repúdio

Na quarta-feira (29), a Câmara de Deputados do Paraguai aprovou, por unanimidade, uma declaração de repúdio às falas de Lula. O documento afirma que o presidente brasileiro “distorce e minimiza” a dimensão histórica da guerra, desconsiderando os antecedentes do conflito e o sofrimento do povo paraguaio.

O presidente da Câmara paraguaia, Raúl Latorre, acusou Lula de tratar “com leveza excessiva” a maior tragédia da história do país. Parlamentares também cobraram a devolução do canhão El Cristiano, levado pelo Brasil como troféu de guerra.

Lezcano afirmou que “a dignidade do Paraguai não se negocia” e que o governo de Santiago Peña defenderá os interesses do país “em todas as instâncias”.

Caso ocorre dias após crise semelhante com a Argentina

O episódio acontece pouco mais de uma semana depois de o Brasil convocar o embaixador argentino em Buenos Aires, em razão de declarações do presidente Javier Milei contra Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Guerra terminou com devastação populacional no Paraguai


A Guerra do Paraguai, também chamada de Guerra da Tríplice Aliança, foi travada entre 1864 e 1870 e opôs o país à aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai. É considerado o conflito armado mais mortífero da história da América do Sul.

O estopim ocorreu depois de o governo de Francisco Solano López capturar o navio brasileiro Marquês de Olinda e ordenar a invasão da então província de Mato Grosso e de território argentino. Estudos citados por autoridades paraguaias estimam que entre 60% e 70% da população do país morreu em consequência dos combates, da fome e das doenças provocadas pela guerra.

O encontro entre Marcondes e Alliana está marcado para esta sexta-feira (31), quando o diplomata brasileiro deve receber formalmente a nota oficial do governo paraguaio.

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Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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