Economia

Operação da PF investiga rombo na Americanas e mira executivos de bancos e acionistas bilionários

Por Igor Alves • 27 de junho de 2026

A Polícia Federal, em cooperação com o Ministério Público Federal (MPF), deflagrou uma nova e contundente fase das investigações sobre a fraude bilionária que levou a varejista Americanas à recuperação judicial. A nova operação cumpre mandados de busca e apreensão e tem como alvos principais executivos de grandes instituições financeiras e o círculo de influência dos acionistas controladores da companhia.

As ordens judiciais emitidas pela Justiça Federal buscam coletar provas de que houve uma atuação coordenada e omissa entre a antiga diretoria da varejista e setores de grandes bancos para camuflar operações de “risco sacado” — o mecanismo financeiro que ocultou um rombo inicialmente estimado em R$ 20 bilhões.

Conivência no mercado e o papel das instituições financeiras

A investigação da PF subiu de patamar ao focar na tese de que a fraude não teria como ter sido sustentada por tantos anos sem a conivência ou facilitação de agentes externos do mercado financeiro. Os investigadores apontam que cartas de circularização e auditorias foram manipuladas ou negligenciadas para manter o valor das ações da Americanas inflacionado artificialmente.

Os novos mandados têm como objetivo mapear e-mails, registros de mensagens eletrônicas e relatórios internos de diretores de bancos que davam aval às transações de crédito sem registrar os passivos reais nos balanços da empresa.

“Estamos investigando um ecossistema de fraude sofisticado. O objetivo desta fase é demonstrar se houve cumplicidade por parte de entes financeiros que se beneficiaram de taxas e juros enquanto a real situação contábil da empresa era ocultada do público e dos pequenos investidores”, informou uma fonte ligada à coordenação da operação da PF.

O cerco aos controladores e o mercado financeiro

A menção a acionistas bilionários eleva severamente a temperatura política e econômica do caso, já que o trio de investidores majoritários da companhia figura entre as pessoas mais ricas do país. Embora a defesa dos controladores historicamente alegue que eles também foram vítimas e desconheciam as fraudes da antiga diretoria executiva, a PF busca rastrear se houve ordens expressas de contenção de danos ou conhecimento prévio dos alertas de auditoria.

O desdobramento da operação provocou forte oscilação nos papéis do setor de varejo na Bolsa de Valores e reacendeu o debate sobre a rigidez das regras de governança corporativa e fiscalização do mercado de capitais no Brasil.

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Igor Alves
Sobre o autor

Igor Alves

Jornalista político com 10 anos de atuação direta em Brasília. Especialista na cobertura dos Três Poderes, combina a análise crítica dos bastidores do Congresso com um olhar documental sobre o cotidiano do Palácio do Planalto, da Câmara Federal e do Senado Federal.

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