Existe uma metáfora recorrente na cultura política brasileira que resume o sentimento de perplexidade da população diante dos escândalos de corrupção: a de um sistema onde as mesmas figuras responsáveis pela guarda dos recursos são também encarregadas de apurar eventuais desvios. A imagem do rato que consome o queijo e, em seguida, assume o papel de magistrado para conduzir a investigação traduz visualmente a essência do conflito de interesses.
Essa percepção decorre de momentos em que mecanismos institucionais de autocontrole parecem falhar ou atuar de forma corporativista. Quando apurações internas, comissões parlamentares ou órgãos de fiscalização enfrentam suspeitas de parcialidade, o cidadão enxerga um ciclo fechado onde o acusado detém a chave da investigação. A sobreposição de papeis entre quem governa, quem julga e quem fiscaliza mina a confiança pública e fragiliza a credibilidade das instituições democráticas.
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