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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de dois medicamentos genéricos à base de liraglutida, substância usada em canetas injetáveis para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. As autorizações foram concedidas à farmacêutica brasileira EMS e publicadas no Diário Oficial da União em 8 de setembro.
Ambos os produtos têm concentração de 6 mg/mL e são administrados por via subcutânea. Um dos registros corresponde ao Olire, medicamento indicado para o controle de peso em adultos e adolescentes, e o outro ao Lirux, destinado ao gerenciamento da glicemia em pacientes com diabetes tipo 2.
Os novos registros foram concedidos na modalidade “genérico, registro de medicamento, clone”, um procedimento simplificado para produtos que apresentam a mesma composição, fabricante, linha de produção e documentação técnica de um medicamento que já passou pela análise completa da Anvisa. Neste caso, os medicamentos-matriz são justamente Olire e Lirux, também da EMS.

Preços e disponibilidade
Como genéricos, os medicamentos devem custar no mínimo 35% menos que os de referência, conforme determina a Lei dos Genéricos. O Preço Fábrica máximo é regulado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e não pode ultrapassar 65% do valor autorizado para o medicamento de referência.
A EMS ainda não divulgou a data de lançamento nem os preços das novas apresentações. A aprovação do registro não garante disponibilidade imediata nas farmácias, pois a empresa ainda precisa definir sua estratégia comercial.
Os medicamentos Olire e Lirux já são comercializados pela EMS desde 2025, com preços sugeridos a partir de R$ 307,26 por caneta. Canetas de liraglutida já eram anunciadas a partir de R$ 84 em grandes redes de farmácias na internet .
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Sobre a liraglutida
A liraglutida integra a classe dos agonistas do receptor de GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo organismo que participa do controle da glicose e da saciedade. A substância estimula a liberação de insulina quando os níveis de açúcar no sangue estão elevados, reduz a produção de glicose pelo fígado e retarda o esvaziamento do estômago, aumentando a sensação de saciedade .
É o princípio ativo de medicamentos como Saxenda (para controle de peso) e Victoza (para diabetes tipo 2), ambos da Novo Nordisk. Diferentemente de opções mais recentes da classe como semaglutida e tirzepatida, que são administradas semanalmente, a liraglutida exige aplicação diária .
Prescrição obrigatória
Desde junho de 2025, os medicamentos agonistas de GLP-1 estão sujeitos à venda mediante apresentação e retenção da receita médica nas farmácias. A medida foi adotada pela Anvisa diante do aumento do uso desses produtos e de relatos de utilização sem acompanhamento adequado .
A regulamentação abrange medicamentos que contêm princípios ativos como liraglutida, semaglutida, dulaglutida, exenatida, tirzepatida e lixisenatida, com receita de validade de até 90 dias .
Referências
Agência Brasil — Anvisa aprova genéricos de medicamentos contra diabetes e obesidade.
Panorama Farmacêutico — Anvisa aprova genéricos de liraglutida.
Rádio Gov — Anvisa aprova dois genéricos de liraglutida.
Nota editorial:
As informações relatadas nesta matéria refletem decisão da Anvisa publicada no Diário Oficial da União em 8 de setembro de 2026. A aprovação dos registros representa a etapa regulatória necessária para a comercialização dos medicamentos genéricos, mas não implica disponibilidade imediata nas farmácias. Os valores de venda serão definidos pela EMS e regulados pela CMED. A liraglutida requer prescrição médica e tem indicações específicas para obesidade e diabetes tipo 2, que não devem ser confundidas.

