O Partido Novo oficializou nesta segunda-feira (27) a candidatura do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, à Presidência da República. A confirmação ocorreu por aclamação durante convenção partidária nacional online, seguida de ato em Brasília. O nome do candidato a vice-presidente na chapa ainda não foi definido, mas a escolha deve ocorrer até 5 de agosto.
Zema, que governou Minas Gerais entre 2019 e março de 2026, disputará a Presidência pela primeira vez. Em seu discurso, o ex-governador se posicionou como uma “terceira via” à polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), afirmou ser “o mais qualificado” para derrotar o PT e criticou duramente o Supremo Tribunal Federal (STF).
Discurso com críticas ao PT e ao STF
Em seu primeiro pronunciamento oficial como candidato, Zema afirmou que “o Brasil não aguenta mais quatro anos de Lula e de PT” e disse que é o único postulante que conhece o “Brasil real”. Ele também fez duras declarações sobre ministros do STF, afirmando que o tribunal tem cometido “aberrações” e questionando a atuação da Corte no caso Master.
O ex-governador defendeu mudanças no STF, como idade mínima de 60 anos para nomeação ao Supremo, indicação por lista tríplice e fim das decisões individuais (monocráticas). “Ir para o STF é o coroamento de uma longa carreira. Igual papa: não se vê papa de 35 anos”, disse.
Propostas de segurança: “superpresídio” na Amazônia
Zema dedicou boa parte do discurso à segurança pública. Prometeu classificar facções criminosas como organizações terroristas — medida que, segundo ele, já deveria ter sido adotada — e defendeu a construção de um “superpresídio” em uma área remota do país, “de preferência no meio da Amazônia”, para concentrar líderes de facções criminosas.
“Esses presos deveriam permanecer encarcerados por longos períodos. Eles vão mofar por pelo menos 25 anos”, afirmou. O candidato também defendeu uma atuação mais rígida do Estado contra o crime organizado e criticou o que considera excesso de impunidade no país.
Vice ainda indefinido
Zema afirmou que a escolha do vice será anunciada dentro do prazo legal, até 5 de agosto. O pré-requisito, segundo ele, é que o nome tenha “ficha limpa”. Nos últimos dias, o ex-governador mencionou o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa como um nome cogitado, mas a definição ainda não foi fechada. O partido busca consolidar alianças para a chapa, que pode ser formada apenas por integrantes do Novo ou por nomes de fora da legenda.
Zema defendeu cortes de despesas, privatizações — incluindo Petrobras, Banco do Brasil e Correios — e a melhoria do ambiente de negócios para destravar investimentos. Também propôs o corte de supersalários no setor público, reformas da previdência e administrativa, e uma reformulação de políticas assistenciais, como o Bolsa Família.

