O cruzeiro MV Hondius atracou neste domingo (10) nas Ilhas Canárias, Espanha, dando início a uma complexa operação de retirada após um surto de hantavírus causar três mortes a bordo. A manobra, que começou às 5h30 (horário de Brasília), visa repatriar passageiros e tripulantes sob rígidos protocolos de isolamento.
A Logística de Evacuação
Para garantir que não haja contato com a população local, o governo espanhol desenhou um fluxo controlado:
- Triagem: Passageiros são examinados ainda a bordo.
- Traslado: O Exército espanhol realiza o transporte até terra firme em embarcações menores.
- Isolamento: Ônibus exclusivos levam os grupos diretamente ao aeroporto de Tenerife Sul.
- Prioridade: Cidadãos espanhóis desembarcam primeiro, seguidos pelas demais nacionalidades conforme a prontidão dos voos de repatriação.
Após a conclusão do desembarque, o navio seguirá para a Holanda, onde passará por um processo completo de desinfecção sob responsabilidade da empresa e do governo holandês.
OMS: Presença e Garantias
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, está pessoalmente em Tenerife para supervisionar os trabalhos. Em uma tentativa de conter o pânico, Tedros publicou uma carta aberta aos moradores:
“O risco para a vida cotidiana em Tenerife é baixo. Esta é uma avaliação técnica da OMS. Nossos corações estão com as famílias das três vítimas, e embora a cepa seja grave, o mecanismo de contenção é seguro.”
Tensão Política e Social
A chegada do navio não ocorreu sem resistência. O governo das Canárias manifestou oposição à atracação, ecoando o medo da população local — ainda traumatizada pelos efeitos da pandemia de Covid-19 — especialmente na região de Granadilla de Abona.
No entanto, o primeiro-ministro Pedro Sánchez defendeu a decisão de acolher a embarcação. Segundo ele, oferecer um “porto seguro” neste contexto não é apenas uma questão logística, mas um dever moral e legal da Espanha perante o direito internacional e a União Europeia.

