Brasil

Michelle Bolsonaro cogita desistir do Senado

Por Luiz Gomes • 2 de julho de 2026

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro cogita desistir de uma eventual candidatura ao Senado nas eleições de 2026 e não quer participar da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), conforme afirmou nesta quinta-feira (2) o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. A decisão ocorre após uma crise pública entre Michelle e seu enteado.

Atrito familiar e saída do PL Mulher

A ex-primeira-dama publicou dois vídeos nas redes sociais na quarta-feira (24) em que afirmou ter sido “maltratada”, “desrespeitada” e “humilhada” pelo senador Flávio Bolsonaro. Michelle e Flávio não mantêm contato desde o fim de 2025. O desentendimento teve origem na definição do palanque do PL no Ceará, quando Michelle criticou a tentativa do partido de construir uma aliança com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB).

Michelle também negou que tenha tornado pública a divergência com o objetivo de substituir Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, afirmando que a manifestação foi uma resposta a “fofoqueiros vazadores” que estariam disseminando essa versão.

Valdemar Costa Neto e o futuro político

Valdemar Costa Neto afirmou que percebe resistência da ex-primeira-dama em se envolver na articulação eleitoral de Flávio. “Eu sinto que ela não quer participar”, disse o dirigente durante entrevista à Rádio Gaúcha, acrescentando, porém, que o impasse entre Michelle e Flávio estaria superado. Valdemar confirmou que Michelle comunicou, na última terça-feira (30), sua decisão de deixar o comando do PL Mulher, classificando a saída como uma perda para o partido.

Michelle anunciou sua saída da presidência do PL Mulher após reunião com Valdemar Costa Neto. No comunicado, a ex-primeira-dama alegou que a decisão é motivada para cuidar do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, e da filha. Ela não tratou da briga com o enteado no comunicado oficial.

Indefinição sobre a candidatura ao Senado

A ex-primeira-dama deixou em aberto a possibilidade de disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal. Aliados de Michelle afirmam que ela ainda se decidirá sobre a candidatura, mas agora se ocupará a cuidar do marido. A definição precisa ocorrer dentro do prazo das convenções partidárias, que podem ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto.

Michelle nunca admitiu publicamente a vontade de concorrer pela primeira vez a um cargo público, embora também nunca tenha negado. Quando questionada, ela sempre diz que seu destino político está entregue a Deus e será definido junto com o marido no tempo certo.

Repercussão no PL e próximos passos

Valdemar Costa Neto, em nota, disse que o PL “cresceu demais” e que, por isso, “divergências” internas são “naturais”. “Temos muitos líderes no partido e, por maiores que sejam as divergências, o que nos une é muito maior. As indignações internas não serão maiores do que a indignação coletiva de ver o que esse governo faz com o nosso país”, afirmou o dirigente do PL.

No comunicado, Valdemar disse que “Michelle fez um excelente trabalho à frente do PL mulher” e que sua decisão precisa ser respeitada.

A definição sobre a candidatura de Michelle ao Senado deve ocorrer até o final do período de convenções partidárias, em 5 de agosto.

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Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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